A mais recente avaliação anual feita pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) sobre bacias hidrográficas concluiu que, apesar do ponto analisado em Bauru ter recebido nota regular, o índice que avalia as condições para a vida aquática foi considerado péssimo. Falta de tratamento de esgoto é o principal responsável pela avaliação negativa.
O relatório minucioso elaborado pela Cetesb avalia amostras coletadas em mais de 300 pontos no Estado. Bauru faz parte da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) Tietê/Jacaré, apesar da maior parte de seu território pertencer à bacia Tietê/Batalha. O ponto de coleta de água para análise mais próximo à cidade é o do Ribeirão Grande (veja mapa acima). Esse local passou a ser verificado somente no final do ano passado.
Porém, o resultado das primeiras análises apontaram um problema já conhecido pelas autoridades e entidades que atuam no meio ambiente de Bauru: a falta de tratamento de efluentes. De acordo com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), a cidade lança a cada segundo 1,5 mil litros de esgoto sem nenhum tipo de tratamento no Rio Bauru. O ponto analisado pela Cetesb fica justamente após o rio desaguar no Ribeirão Grande.
De acordo com Nélson Menegon, gerente da divisão das águas e dos solos do órgão, o local foi escolhido justamente para analisar o impacto do município nos rios da região. Pelo relatório, o Índice de Qualidade da Água (IQA) no local de análise teve média de 42 pontos. Ou seja, regular. Pela escala, até 19 pontos o índice é considerado péssimo. De 20 a 35, ruim; de 36 a 51 regular; de 52 a 79 bom e de 80 a 99, ótimo. Na avaliação geral, a UGRHI Tietê/Jacaré teve IQA considerado bom.
O gerente afirma que apesar de todo o esgoto urbano ser jogado sem tratamento no rio, ele chega de forma diluída no ponto de análise. “A natureza é sábia. Existe uma forma de autodepuração nos rios”, observa. Mas um ponto preocupante é o índice de qualidade de água para proteção da Vida Aquática (IVA). Enquanto a maioria dos pontos analisados na bacia Tietê/Jacaré atingiram nota regular, o índice verificado no Ribeirão Grande foi considerado péssimo.
Entre as variáveis sanitárias analisadas, o índice de oxigênio diluído (OD) verificado no Ribeirão Grande foi 3,0. De acordo com Menegon, o mínimo necessário para haver proteção da vida aquática é 4,0. Já a concentração de matéria orgânica teve média 5, o que está dentro do padrão.
Um dos itens que mais chamaram a atenção foi a concentração do fósforo. Enquanto o padrão é 0,1, o ponto analisado apresentou índice de 0,715. “Isso é provocado pela concentração de esgoto doméstico e proporciona o crescimento de algas”, explica o gerente.
A falta de tratamento de efluentes também pode ser medida pela concentração de coliformes. Enquanto a média é de 1 mil, foi registrada a marca de 8,9 mil no Ribeirão Grande.
Ações
O biólogo Ivan de Marche, presidente do Fórum Pró-Batalha, observa que o IQA é uma variável que depende de fatores como a ação do tempo. “Se chover muito, esse índice tende a melhorar”, explica. Já o IVA é um fator mais biológico, que independe do volume de água.
Ele destaca que o DAE está atuando para melhorar esses índices, com a instalação de interceptores para esgoto. Em córregos onde eles já foram instalados, o biólogo informou que é possível já ver alguns peixinhos.
No entanto, Ivan destaca que até o tratamento dos efluentes ser efetivado, essa medida vai apenas retirar o esgoto da cidade para lançá-lo num ponto mais adiante. “O que será bastante prejudicial para este local”, observa.
“Na verdade, é necessária a construção das estações de tratamento de esgoto Candeias e Vargem Limpa para aumentar as chances de vida aquática em Bauru. Mas isso já depende de fatores externos, políticos, técnicos, jurídicos”, destaca.
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Córregos da Grama e Água da Ressaca: obras
A Equipe do Tratamento de Esgoto do DAE iniciou na última semana a implantação de interceptores na margem esquerda do Córrego Água da Ressaca, entre o bairro Parque das Nações e o Residencial Lago Sul. Esse último trecho do córrego terá uma extensão de 4,2 mil metros e serão utilizadas tubulações com diâmetro de 400 milímetros em PVC.
O valor do investimento é de R$ 800 mil, custeado pelo Fundo de Tratamento de Esgoto, e a previsão do término do serviço é fevereiro de 2010. “Já é possível observar peixes no Córrego da Água da Ressaca, fato que não era verificado antes dos interceptores”, destaca José Lázaro Pinheiro, responsável pela equipe.
Já a instalação de interceptores no Córrego da Grama foi concluída há alguns dias. Ao todo, foram assentados 4 mil metros de coletores. Mais de 12 bairros no trecho compreendido entre a avenida Waldemar G. Ferreira e o Rio Bauru foram beneficiados com a obra, abrangendo uma população de aproximadamente 40 mil pessoas, segundo a prefeitura.
Em algumas partes do córrego foram executadas travessias aéreas. Foram investidos R$ 3 milhões na despoluição do Córrego da Grama, incluindo as despesas com equipamentos, mão-de-obra e materiais.