Pelo menos R$ 67 milhões são injetados na economia bauruense todos os meses. Esse é o valor estimado que os governos municipal, estadual e federal gastam com a folha de pagamento dos 26 mil funcionários públicos que residem na cidade. Como a prática de poupar não é muito comum entre os brasileiros, grande parte desses recursos acaba indo mesmo para o comércio, serviços, lazer, habitação, educação, saúde e outras áreas de consumo.
Por ser o maior empregador, o Estado é, conseqüentemente, a principal fonte de recursos de Bauru. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Fazenda, são cerca de R$ 51,5 milhões depositados nas contas dos servidores das autarquias, empresas, fundações, Polícia Militar, secretarias e universidades estaduais todos os meses.
Outra fonte importante para a economia da cidade é a prefeitura. Embora muito distante do patamar alcançado pelo Estado, os cofres municipais dão uma contribuição generosa. São cerca de R$ 14 milhões nas mãos dos servidores/consumidores. Desse total, R$ 10,5 milhões são pagos aos servidores da ativa e o restante aos servidores aposentados e afastados, pagos por intermédio da Fundação de Previdência dos Servidores (Funprev).
Menos representativa, entretanto não menos importante, é a folha de pagamento da União em Bauru. São aproximadamente 400 funcionários federais na cidade, que recebem todos os meses pelo menos R$ 1,5 milhão. Esse valor é subestimado porque Receita Federal, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal (PF) não forneceram os respectivos valores da folha de pagamento solicitados pelo JC. A PF não informou sequer o número de funcionários sob a alegação de que os dados são sigilosos. Somando esses três setores, são mais de 200 funcionários ganhando bons salários. Em alguns casos, excelentes salários.
Para Salete Aparecida Rossini Lara, professora de economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), esses números são “extremamente importantes” para a cidade como um todo. Segundo ela, mesmo em meio às crises econômicas, eles representam uma parcela da população que tem emprego e salários garantidos.
“É só verificar a linha de crédito que eles têm. Os próprios bancos ligam para os servidores oferecendo dinheiro. De todos os trabalhadores, eles são os únicos que têm salário garantido”, observa.
Na opinião dela, o comércio deveria fazer algo parecido, ou seja, investir mais no marketing voltado para esse público. Salete lembra que existem muitos servidores também nas cidades da região, o que aumenta ainda mais o contingente a ser explorado.
Para a economista, a tendência é que a influência desses trabalhadores na economia de Bauru aumente a partir do ano que vem, quando estão previstos novos concursos públicos para contratação de um grande número de servidores. Afinal de contas, é ano de eleição.