A técnica em administração Regina Helena Silva, 52 anos, é a terceira geração de servidores públicos municipais dentro da família. O avô dela, Alberto Rodrigues da Silva, foi fiscal de posturas municipais por incríveis 45 anos. O pai, Aníbal Rodrigues da Silva, foi contratado para o cargo de operário da limpeza pública por aproximadamente 30 anos. Agora, a filha dá seqüência à tradição de ter sempre alguém da família trabalhando na prefeitura. Além dela, existem alguns sobrinhos que estão empregados na área da saúde.
Regina ingressou numa época em que ainda não havia concurso público como critério de aprovação. Era tudo na base da indicação. Ela começou como servente de limpeza e permaneceu na função por quatro anos e meio. Depois desse tempo, começaram os concursos. Foi por meio de um desses concursos que ela conseguiu ser aprovada no cargo de auxiliar de serviços burocráticos, na Secretaria de Planejamento. Foram mais quatro anos até ela prestar um novo concurso. Desta vez para o cargo que ocupa atualmente e onde está desde 1992.
Regina já foi supervisora do Poupatempo e hoje está amadurecendo a idéia de se aposentar. “Tudo que tenho na vida foi graças ao meu trabalho na prefeitura”, diz.
Quem também está prestes a deixar o serviço público é Mauro Afonso, 55 anos, da Divisão de Atos Oficiais, mesmo setor de Regina. Ele começou a trabalhar como legionário mirim em 1969, exercendo o cargo de office boy. Três anos mais tarde foi contratado para executar serviços burocráticos na Secretaria de Educação.
Quando foi admitido, o prefeito da época era Alcides Franciscato. Desde então, Mauro viu entrar e sair do Palácio das Cerejeiras dez prefeitos. Cada um com seu estilo. Da mesma forma, acompanhou também a movimentação de secretários. Segundo ele, esse trânsito constante lhe possibilitou um grande aprendizado. “Com cada pessoa que trabalhei fui absorvendo um pouco do estilo delas, daquilo que eu achava que elas tinham de bom”, comenta.
Mauro chegou a ser diretor de departamento, momento que ele considera o auge da carreira. Permaneceu no cargo durante cinco anos. “Isso aqui é uma família”, diz ele referindo-se ao local de trabalho. “Aqui você ri, chora, compartilha com os colegas os momentos alegres e tristes. Quando estou longe daqui, sinto falta dessa convivência. Não sei o que vou fazer quando aposentar”, relata.
Ambos apontam a estabilidade oferecida pelo setor público como o grande atrativo. Com crise ou sem crise, eles sabem que continuarão empregados e com o poder de compra intacto, para o bem da economia de Bauru.
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Da época do INPS
Quando Ava Suely Torres Hotta tornou-se uma servidora pública, o local de trabalho dela tinha um nome que não se usa mais. Era o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que atualmente responde pela sigla INSS. Saiu o “P” de Previdência e entrou o “S” de Seguro.
Apesar de todos os atrativos do funcionalismo público, ela deixou para assumir sua vaga no último dia previsto como prazo. “Embora gostasse muito de onde eu trabalhava, fiquei bastante feliz com o novo emprego, pois há muito buscava uma chance de trabalhar no setor público”, conta.
Ava foi admitida em julho de 1981 para trabalhar na seção de Concessão de Benefícios do INPS, onde atualmente está localizada a gerência executiva do INSS em Bauru, na quadra 12 da rua Rio Branco.
Ela relata que no início teve a impressão de que não iria aprender o serviço. “Nos primeiros dias, me colocaram para ler um livro enorme denominado ‘Consolidação dos Atos Normativos sobre Benefícios’, onde havia explicações sobre a legislação previdenciária e explicações detalhadas sobre documentos necessários e como conceder cada tipo de benefício.”
Além disso, ela tinha de aprender os códigos normalmente usados na linguagem entre os servidores, referentes às características dos benefícios. “Isso me assustou”, lembra. Foi só uma impressão. Como se vê, Ava superou as dificuldades iniciais e tocou a carreira adiante.
Durante 19 anos trabalhou no atendimento ao público, protocolando e concedendo vários benefícios, como auxílio-doença, pensão, aposentadorias e outros. Após o ano de 2000, passou a trabalhar na Gerência Executiva de Bauru, mais precisamente na seção de Revisão de Direitos, onde esteve como chefe de seção até o início de 2008. Atualmente, trabalha como técnica do seguro social.
“A experiência acumulada no decorrer dos anos de vida e do tempo de serviço me faz sentir uma pessoa realizada não só como mulher, mas também como trabalhadora, que faz o que gosta e que nunca desistiu de nada, acreditando sempre em dias melhores”, afirma.