As universidades de Bauru estão dominadas pelas tribos. Não as indígenas, mas aquelas formadas por alunos que se vestem basicamente da mesma forma. Em um passeio pelas dependências dessas universidades é possível notar como a moda difere de um lugar para outro.
As tribos que dominam a Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, não falam a mesma língua das outras “aldeias” da cidade. A maneira de se vestir é diferente. E as diferenças prevalecem até mesmo entre as universidades privadas. O traje adotado na Instituição Toledo de Ensino (ITE) não é igual ao traje que se vê na Universidade Paulista (Unip) ou nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB).
É claro que não há como generalizar, pois existe um padrão que prevalece em todas as universidades. A moda jovem é onipresente, ou seja, em qualquer estabelecimento de ensino que se vá, seja público ou particular, terá sempre o aluno de calça jeans, camiseta e tênis, e a aluna de calça jeans, blusinha e sandália.
Mas as tribos de que trata a matéria são grupos que se destacam longe desse padrão. Na Unesp, por exemplo, é muito comum ver alunos vestindo bermuda, camiseta, boné, mochila nas costas e chinelos do tipo Havaianas. As meninas, por sua vez, costumam ir às aulas usando roupas largas, coloridas, e bolsas igualmente grandes e coloridas.
A Unesp é um lugar onde a estudante Geisy Arruda (aquela que foi expulsa da Uniban por usar vestido considerado excessivamente curto) poderia freqüentar sem ser incomodada pelos colegas. Não é difícil ver alunas andando pelo câmpus com minissaia e shorts bem curtos, ainda mais com esse calor dos últimos dias.
Abordada pela reportagem, Brunara Ascencio, 19 anos, aluna do 2º ano do curso de jornalismo, disse não ver nada de mais no fato das mulheres irem “mais à vontade” para a faculdade. Ela própria estava usando um microshorts e não se sentia ameaçada nem alvo de comentários desfavoráveis. “Eu estou com shorts curto porque aqui isso é normal. Se fosse numa outra universidade de Bauru, com certeza, eu estaria com outra roupa”, diz. Brunara conta que estudou em escola particular e nunca pôde ir tão à vontade para as aulas, nem mesmo de chinelos Havaianas.
Larissa Maschio, 20 anos, também do 2º ano de jornalismo, admite que os alunos da área de ciências humanas são “mais despojados”, mas não se esquece de incluir nesse grupo uma parte dos estudantes de engenharia e de informática que vai muito à vontade para o curso.
Durante a presença da reportagem no câmpus, um grupo de cerca de sete alunos da área de informática estava se dirigindo para o laboratório e todos, absolutamente todos, usavam bermuda, camiseta, mochila nas costas e chinelo. Na opinião de Larissa, uma grande parte dos alunos se veste igual para poder ser aceita no grupo. Ela comenta que muitos vêm de cidades pequenas, habituados com costumes mais conservadores, mas quando chegam na Unesp passam por uma verdadeira transformação. Eles começam a se vestir e a se comportar de acordo com o padrão da tribo da qual querem fazer parte.
O antropólogo Cláudio Bertolli Filho, professor da Unesp, disse que tem notado essas transformações há vários anos. Ele conta que tem a mania de ficar observando as pessoas quando chega a época das matrículas e depois vê como essas mesmas pessoas mudam no decorrer do curso.
“Eu vejo o garotão chegar segurando a mão do pai ou da mãe e a menina com vestido de baile e de salto alto.” Tudo isso fica para trás logo nos primeiros meses de aula. “No primeiro bimestre, eu noto que há uma uniformização das roupas para se integrarem, para se sentirem parte de um grupo”, analisa.