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USP tem alunos mais comportados

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Nem mesmo entre as universidades públicas há uma uniformidade na maneira de se vestir. Os trajes dos alunos da Universidade de São Paulo (USP) são mais recatados do que os dos alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Na USP também existem alunos de bermuda, mas nunca ou quase nunca de chinelos. As meninas se vestem melhor, usam bolsas mais chiques e dificilmente freqüentam as aulas com roupas decotadas ou curtas.

Segundo a estudante Ana Paula Fernandes, 25 anos, que faz especialização em odontopediatria e estuda na USP há seis anos, a própria diretoria da universidade pede aos alunos que evitem roupas sumárias. Ela conta que é comum ver alunos de bermuda, mas sempre com tênis nos pés. Segundo ela, não há uma proibição quanto às roupas, mas a maioria respeita.

Mas a verdade é que os alunos da USP contam com ar-condicionado nas salas de aula, um privilégio que os alunos da Unesp não têm. Talvez por isso, vão mais à vontade para a faculdade em épocas de calor.

Até mesmo na Universidade do Sagrado Coração (USC), que tem a administração ligada a grupo religioso, é possível encontrar alunas de minissaia e shorts curtos. A exemplo da Unesp, a USC também não tem salas com ar-condicionado.

“Não acho que meu shorts está tão curto. Tem gente que vem com roupa ainda mais curta que a minha”, tentava argumentar Ana Celina Taddei, 21 anos, do 3º ano do curso de fisioterapia, que vestia um shorts branco com detalhes em laranja bem acima do joelho quando foi entrevistada pela reportagem. Ela diz que nunca sentiu preconceito, foi hostilizada ou desrespeitada por freqüentar as aulas com roupas curtas.

Se durante o dia não é difícil encontrar alunas com peças econômicas, à noite quem manda na área é outra tribo. As roupas mais à vontade dão lugar ao salto alto, plataforma, bolsas do tipo que se leva para as baladas e peças mais nobres. Como é de praxe, as meninas dão um show de beleza. Elas se produzem bem mais que os meninos, mesmo que seja para ir estudar. Mas mesmo entre os meninos, a escolha da roupa é mais criteriosa à noite. Apesar do básico (calça jeans, camiseta e tênis), eles estão sempre bem arrumados.

Para Naila Meneghetti, 20 anos, do 3º ano de fisioterapia, isso ocorre porque muitos dos alunos e alunas vêm de cidades vizinhas de Bauru. Para estes, ir à faculdade se transforma em um passeio e, conseqüentemente, a roupa tem de estar apropriada.

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