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Maturidade precoce surpreende pais

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

O que você faria se o seu filho chegasse do seu lado, neste exato momento, tomasse esta página das suas mãos e dissesse: “Dá licença que eu preciso ler o meu jornal”? Ficaria, no mínimo, intrigado, certamente.

Pois é isso o que ocorre na casa da manicure Maria Estela Klein, que vê o filho João Vitor, de 10 anos, atento aos fatos do noticiário, além de trocar os tradicionais desenhos na escola por cópias de pinturas do impressionista Vincent Van Gogh. “Ele é diferente”, observa a manicure. “Há dois anos quis fazer pintura e fez dois quadros de obras do Van Gogh”, testemunha. “Ele fala sobre tudo isso desde os 3, 4 aninhos. É muito maduro para a idade dele”, comenta.

Quem também notou que o filho tem um diferencial no comportamento é a cabeleireira Deusnice Feternando. Segundo ela, o garoto Pedro Henrique, de 12 anos, tem dificuldade em se adaptar e aceitar as atividades triviais direcionadas a ele na escola. “Ele só sossega quando desenha”, comenta a mãe, para, em seguida, citar a qualidade do garoto. “Só que ele desenha muito bem”, elogia.

Deusnice conta que já matriculou o filho em diversos cursos e atividades extra-escolares, na tentativa de fazer com que o garoto descarregasse toda a energia demonstrada. A criança, comenta a cabeleireira, não consegue ficar sentada. “Com o desenho ele se acalma um pouco, além disso ele gosta muito de dançar”, completa.

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Questão ‘índigo’ divide estudiosos e até espiritualistas

Controversas até mesmo entre os espiritualistas, a questão sobre a existência das chamadas crianças “índigo” (com aura de cor azul), que apresentariam novo e incomum conjunto de atributos psicológicos, é uma das teorias sobre o que seria um novo padrão de comportamento infantil. Embora defendido por alguns autores, o assunto ainda é discordante entre terapeutas, e é considerado relativamente novo no campo da pesquisa.

Entre os escritores que defendem a existência de um grupo diferenciado de crianças, nascidas geralmente, segundo eles, a partir dos anos 80, estão os norte-americanos Jan Tober e Lee Carroll, que escreveram, em 1999, o livro “The Indigo Children” (Crianças Índigo), ainda sem tradução para o português.

De acordo com os autores, os índigos apresentariam as características comuns em boa parte das crianças nascidas dos anos 80 em diante, com maior grau de inteligência, sensibilidade, mas, ao mesmo tempo, mais irritabilidade e dificuldade de relacionamento em situações semelhantes às que causam desequilíbrio com as crianças portadoras de déficit de atenção ou hiperativas.

Por outro lado, essa questão não é sequer levada a sério, seja por terapeutas ou espiritualistas. “É uma barca furada”, opina Richard Simoneti, presidente do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) de Bauru. “Não passa de uma invenção de uma médium perturbada dos Estados Unidos”, critica o dirigente espírita, autor de vários livros, ao afirmar que combate veementemente essa tese.

Essas crianças, resume a psicóloga Lusmara Nassar Pelegrino, requerem, acima de tudo, carinho e atenção. “Elas estão nos ensinando.”

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