Nacional

Shopping é fechado para investigação

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O segundo desabamento em pouco menos de um mês nas obras para a ampliação do shopping SP Market fez com que a Prefeitura de São Paulo interditasse na manhã de ontem totalmente o centro comercial com 330 lojas, em Interlagos, na zona sul da cidade.

De acordo com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o SP Market só voltará a funcionar após os responsáveis pelo local e as empresas envolvidas nas suas obras assinarem um termo conduta para evitar outros acidentes no shopping, o segundo maior do país com 272 mil m2 de área construída.

Até lá, o SP Market passará por novas fiscalizações e, caso o termo esteja dentro do que a prefeitura determina, o shopping poderá reabrir quarta-feira. Uma das exigências é a de que o shopping contrate uma gerenciadora para as obras de ampliação no local.

“Não podemos, num momento como esse, num shopping por onde circulam diariamente milhares de pessoas, deixar de dar esse sinal de tranquilidade”, disse Kassab.

Na terça-feira, ao meio-dia, representantes das duas secretarias e do Corpo de Bombeiros vão entregar ao prefeito um laudo sobre as condições de segurança do shopping. Nesta data, a gerenciadora de obras também deverá entregar seu planejamento. “Identificados os problemas, faremos um termo de ajuste de conduta, que deverá ser assinado pela construtora e pelo shopping”, disse Kassab. “Se tudo ocorrer como previsto, liberaremos o shopping para funcionar a partir de quarta-feira.”

Por volta das 15h20 de anteontem, durante uma chuva forte acompanhada de ventania, uma parede de 30m2 erguida sobre a cobertura do shopping caiu, atingiu quatro lojas (C&A, Café do Ponto, Gelateria Parmalat e McDonald’s) e feriu oito pessoas sem gravidade.

Quatro semanas antes, em 24 de outubro, outro acidente ocorreu no SP Market. Parte da estrutura metálica da obra na área externa caiu e quatro operários ficaram feridos. No dia seguinte a esse desabamento, dois engenheiros e um tecnólogo do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) fizeram uma vistoria completa no shopping. A área do acidente e a reforma do teto de gesso em uma das praças de alimentação do shopping foram interditadas. A liberação saiu após a troca do andaime por um elevador e a garantia de que as obras seriam feitas de madrugada.

Segundo o secretário Orlando Almeida, os acidentes não ocorreram pelos mesmos motivos. “Um não tem nada a ver com o outro. Nossa vistoria foi completa e não poderia prever um acidente desses, mesmo porque as obras na parede da laje que desabou não haviam começado”, afirmou. Na avaliação do secretário, a parede só teria caído porque o telhado que ajudaria na sustentação não ficou pronto a tempo.

O diretor e proprietário da MPD Engenharia, Mauro Piccoloto Dattori, disse que cumprirá todas as exigências da Prefeitura. Questionado sobre o fato de obra ter começado sem que fosse levada em conta a previsão climática, Dattori afirmou que não poderia prever a intensidade dos ventos e que o tapume de proteção colocado sobre a parede foi arrastado por 15 metros.

Comentários

Comentários