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Os balões e a segurança

Luiz Carlos de Miranda Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

Não estamos no meio do ano, período das festas juninas e das férias escolares, mas o céu continua repleto de pipas e balões. Imagens recentes de tevê revelaram que esses brinquedos estão provocando caos nos entornos de aeroportos e uma onda de preocupação em profissionais responsáveis por instalações industriais inflamáveis, como refinarias de petróleo, ou por áreas de preservação ambiental. Há indícios que um balão tenha provocado incêndio recentemente em um shopping em São Paulo. Ao caírem, por exemplo, próximos a linhas de alta tensão, subestações ou equipamentos da rede elétrica, podem provocar explosões e incêndios, interrompendo o fornecimento de energia elétrica. O problema também é agravado pela menor umidade do ar no período seco, que historicamente se estende até novembro. Segundo estatísticas, de cada três balões, dois caem acesos.

A preocupação que acompanha o percurso traçado pelos balões de ar quente não tripulados não é recente. Essa brincadeira, longe de inocente, oferece muitos riscos à população, tanto é que está caracterizada como crime ambiental (Lei 9.605/96). Diz seu artigo 42 que fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano é crime ambiental com pena de detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. O alerta serve para grupos de baloeiros que direcionam muitos recursos na construção dos seus balões, alguns deles chegando a mais de trinta metros de altura, sem contar os fogos e a bandeira.

No setor de energia elétrica, os riscos são grandes e envolvem a preocupação de interrupção do serviço. Com a proximidade do balão quente das linhas de transmissão ou de distribuição de energia elétrica, há o aquecimento desses cabos o que pode provocar curtos-circuitos, rompimentos e desligamentos de grandes trechos. Hospitais, escolas, indústrias, grandes centros comerciais, concentrações urbanas ficam no escuro, causando um grande prejuízo à população. Nas proximidades de aeroportos, os balões atrapalham as operações de pouso e decolagem, muitas vezes forçando pilotos a mudarem a pista a ser utilizada, causando estresse e corre-corre num ambiente onde o cuidado com a segurança tem que ser multiplicado. Próximos a matas e reservas florestais a preocupação não é menor. Incêndios criminosos provocados por balões consomem vegetação nativa e acabam com áreas de preservação em questão de horas.

Na refinarias, a questão é tratada com gravidade máxima. Por isso equipes de brigadas e esquadrões de sentinelas vigiam as áreas de tancagem e ao menor sinal de balão todo um plano de contingência é colocado em prática em questão de segundos. Munidos de binóculo, eles ficam de olho no céu. Quando um balão é avistado, comunicam-se entre si até terem certeza de onde ele vai cair. Houve casos em que foi preciso abater o balão no ar com um jato d’água. Enquanto a sociedade se mobiliza em ações como essa, a polícia tenta atuar na conscientização, uma vez que flagrar grupos pequenos de baloeiros é uma tarefa quase impossível. Na maioria das vezes, somente com denúncia anônima é possível chegar aos infratores. Em média, os balões têm 20 metros de altura e custam de R$ 800,00 a R$ 10 mil, dependendo do seu tamanho, do acabamento e do material empregado. Os mais caros chegam a ser equipados com sistema GPS, o que permite sua recuperação com maior facilidade. Uma turma de baloeiros pode levar um ano para preparar o seu, principalmente por causa dos detalhados desenhos que costumam estampá-los, segundo informações da Polícia Militar Ambiental. Tamanha organização deve ser também utilizada no combate a essa prática. Afinal, a alegria de poucos não pode conflitar com a segurança, o conforto e a qualidade de vida da grande maioria da população.

O autor, Luiz Carlos de Miranda Jr. , é gerente de Segurança do Trabalho, Saúde e Qualidade de Vida da CPFL Energia

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