Articulistas

Dez anos se passaram....

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 2 min

Lá se vão dez anos que Plínio Marcos nos deixou. Em São Paulo, onde viveu a maior parte de sua vida, e em Santos, várias homenagens reverenciaram o grande dramaturgo, cuja obra, como ele mesmo frisava, continuará sendo atual, enquanto o Brasil não mudar. Defensor da igualdade de direitos, de uma justiça social efetiva e de oportunidades idênticas para todos, Plínio gravou em sua dramaturgia o clamor dos excluídos, e deles foi seu porta voz. Do menino que conheci em 1946, até seu ato final neste plano, várias nuances marcam sua vida. Das tentativas como esportista, levado pelo professor Elny Camargo para o Vasco da Gama para ser nadador, e depois, no futebol, pela várzea de Santos e especialmente no Jabaquara, redundaram em desistências. Seu destino nasceu traçado, e foi no Pavilhão Teatro Liberdade, ali no Macuco, que Plínio despontou para as artes cênicas. Lá que a Pagú foi buscá-lo para um papel no Pluft, o fantasminha, de Maria Clara Machado. Alguns afirmam que foi Paulo Lara, companheiro dos tempos de natação, quem o indicou para Pagú. Freqüentador do Bar Regina, apesar da oposição de Roldão Mendes Rosa que não via nele qualidades intelectuais, mas apoiado pelos irmãos Narciso e Nelson Andrade, ali também ganhou seu espaço. Mas foi em 1959 que Plínio despontou para o cenário teatral. Sua apresentação de “Barrela”, sua primeira obra, chamou a atenção de todos, inclusive da Pagú, que se derramou em elogios ao texto. Nesse ano realizou-se em Santos o II Festival Nacional de Teatro de Estudantes, organizado por Paschoal Carlos Magno, e que alem de Plínio, revelou os talentos do Grupo Oficina, através de José Celso Martinez Correa, Etty Frazer, Renato Borgui, José Carlos Queiroz Teles, entre outros. Alem deles, surgiu Amir Haddad, Fernando Peixoto, e serviu para confirmar o talento de Antonio Abujanra, Lílian Lemertz e tantos mais.

Considerado como um dos principais dramaturgos brasileiros, ao lado de Nelson Rodrigues, Plínio viveu modestamente. Não era apegado a bens materiais, e sempre achava uma forma de ajudar companheiros mais desvalidos que ele. Se para alguns era irreverente, casca grossa e briguento, para outros, que com ele conviviam com mais intensidade, era um ser humano irrepreensível. Dez anos se passaram, e Plínio continua sendo o porta voz dos desvalidos e excluídos. Sua obra permanece atual porque o país nada mudou. Criaram-se paliativos eleitoreiros, mas nada que possa significar a melhoria efetiva das condições humanas, e da dignidade que todo brasileiro precisa ostentar. Cabe a nos que ainda estamos por aqui, continuar sua luta em prol de uma justiça social verdadeira, onde todos possam ter as mesmas oportunidades, sem que para isso seja necessário criar eufemismos, como os que pululam por aí.

O autor, Carlos Pinto, é jornalista e colaborador de Opinião

Comentários

Comentários