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Mercado visa ‘versatilidade moderada’

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Com o perfil cada vez mais competitivo e afunilado, o mercado de trabalho exige tanto conhecimento aprofundado quanto visão generalista dos profissionais que buscam não apenas um lugar ao sol, mas o enraizamento de uma carreira sólida, apoiada na qualidade total do trabalho e aliada à tranqüilidade financeira.

Apesar de cientes da importância de se conjugar, não necessariamente em doses iguais, ambos os perfis, profissionais recém-chegados ou prestes a se embrenhar na “selva” do mercado ainda encontram dificuldades de saber qual o melhor rumo a tomar nos primeiros anos como contratados.

Ao mesmo tempo em que se tornam “clínicos gerais”, mesmo exercendo a profissão especificada em diploma, muitos se tornam “escravos” da opção, e são obrigados a fazer do que era uma demonstração de versatilidade, um meio para se manter no emprego.

Muitas vezes pela escassez de vagas, alguns profissionais se sujeitam a essa função e correm o risco, de acordo com especialistas, de não conseguirem se livrar do estigma de “faz tudo”, mas ao mesmo tempo, sem conseguir ancorar numa função fixa e que, realmente, lhe dê garantia de crescimento prático dentro de uma determinada empresa.

Para o psicólogo Ângelo Antônio Abrantes, especializado em psicologia da educação, a polivalência levada ao extremo pode ser onerosa para o futuro do profissional, que se priva de se alicerçar o futuro na empresa, relegado apenas a questões imediatistas. “Sou contra a formação que faz a pessoa se adaptar ao que existe, essa forma imediatista, pragmática”, condena.

Segundo ele, o ideal é que, mesmo atuando em variadas frentes, o empregado desenvolva o senso crítico sobre o que o circunda. “O que importa é a compreensão sobre uma totalidade de funções, mas vai além do imediatismo”, insiste o especialista, que critica as exigências da maioria das empresas. “O ‘ideal’ tem sido aquela pessoa obediente, não questionadora, adaptável e, acima de tudo, com bom humor e que aceita qualquer tipo de exploração”, lamenta.

Foco

Se nem tudo são flores, por outro lado também é possível abraçar uma carreira, se especializar e, ao mesmo tempo, obter uma visão generalista do trabalho sem, entretanto, cair no estigma de “clínico geral”.

Para Renato Grinberg, especialista em mercado de trabalho e diretor do portal www.trabalhando.com.br, o ideal é colocar o pé no mercado já com uma especialidade, para, em seguida, buscar a visão global em vista a ocupar cargos de chefia no futuro. “Normalmente se começa como especialista, ao se oferecer um valor específico para a empresa”, recomenda.

A medida em que o profissional evolui dentro da corporação, explica Grinberg, que já ocupou cargos em importantes empresas internacionais, como a Sony Pictures e Warner Bros., em Los Angeles, nos Estados Unidos, ele conseqüentemente desenvolve outras habilidades. “Isso com o objetivo de assumir cargos de liderança. O importante é se conhecer e, no início, estar focado em alguma área com a qual se tenha mais afinidade e que dê a possibilidade de agregar valores”, ensina. “Quem faz tudo, às vezes, não faz nada direito”, conceitua.

Entretanto, conforme o próprio especialista, guardado o cuidado para não se tornar um “faz tudo que não chega a nada”, não existe fórmula mágica para o sucesso profissional, exceto uma ferramenta essencial. “A diferença é ter o foco e ser o melhor possível. O importante é se auto-conhecer e tirar o máximo de sua experiência”, considera.

A mesma recomendação faz a consultora organizacional Regina Maura Torres. “Na verdade, é necessário um pouco das duas coisas. Um especialista precisa ter a visão do todo. Um engenheiro mecânico, por exemplo, precisa ter conhecimento técnico, mas também um conhecimento muito mais vasto, amplo”, ilustra Regina, que atua em escritório especializado em Bauru. “De outra forma, um profissional com conhecimento geral, mesmo que não aprofundado, é o mais preparado para a gestão de pessoas, pois tem a visão de onde a empresa quer chegar”, atribui.

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