Internacional

Impasse sobre sucessão ameaça saída norte-americana do Iraque


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Bagdá - O Parlamento iraquiano não conseguiu resolver um impasse ontem que ameaça adiar a eleição nacional de janeiro, o que pode afetar os planos dos militares dos Estados Unidos de uma retirada parcial em 2010.

Só restaram alguns dias para o Parlamento analisar o veto do vice-presidente Tareq al-Hashemi à lei eleitoral, que deve ser aprovada 60 dias antes do pleito. A data de 23 de janeiro é vista pela maioria xiita iraquiana como a última possível para a realização da eleição.

Se nenhuma solução for encontrada, o Iraque pode ter de adiar a consulta por um mês, para depois do festival religioso xiita do Arbain, uma mudança que diplomatas ocidentais e funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram ser inconstitucional.

“Acho que amanhã será crucial e que o assunto será resolvido”, disse Khalid al-Attiya, porta-voz assistente do Parlamento. “Não há acordo, mas há propostas e espero que concordemos sobre um projeto específico amanhã”, apontou.

A eleição é vista como um marco para o Iraque no momento em que o país emerge de anos de conflitos sectários desde a invasão norte-americana em 2003 e começa a se sustentar nas próprias pernas antes da retirada completa dos EUA até 31 de dezembro de 2011.

Nos bastidores, altos funcionários ocidentais e iraquianos dizem que um breve adiamento do pleito pode não ser ruim, pois daria às autoridades eleitorais mais tempo para se preparar. Mas a constituição estipula que a próxima eleição deve ser realizada até 31 de janeiro, e romper essa barreira poderia criar um precedente perigoso que pode ser explorado no futuro por um governante autoritário, pouco inclinado a realizar eleições programadas.

Um grande atraso também pode afetar os planos dos Estados Unidos para encerrar as operações de combate até 31 de agosto do ano que vem, já que os militares norte-americanos desejam manter um contingente considerável no Iraque até o próximo governo estar empossado e a situação de segurança estar clara.

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Irã

Teerã - Mohammad Ali Abtahi, ex-vice-presidente reformista do Irã, acusado de fomentar protestos de rua após a eleição presidencial de junho, foi solto ontem depois do pagamento de uma fiança de US$ 700 mil, informou o Judiciário após informações de que ele havia sido condenado a seis anos de prisão.

Sob a lei iraniana, pessoas condenadas à prisão podem pagar fiança e ficar em liberdade enquanto apelam da decisão. Abtahi, clérigo que foi vice-presidente para assuntos parlamentares e legais durante o governo de Mohammad Khatami, entre 1997 e 2005, é um dos dezenas de líderes moderados detidos após a polêmica eleição, sob acusação de tentar derrubar as instituições clericais. Ele pode ser o mais importante reformista a ser preso até agora após a votação, ocorrida há mais de cinco meses.

O Judiciário do Irã disse na semana passada que cinco pessoas foram condenadas à pena de morte e 81 à permanência de até 15 anos na prisão devido aos protestos e atos violentos após o pleito, mas não informou nomes. Pode haver recurso das sentenças.

A oposição moderada afirma que a eleição foi fraudada para assegurar a reeleição do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, que visita o Brasil nesta semana. As autoridades governistas rejeitaram a acusação e disseram que os protestos eram patrocinados por outros países.

O comitê de Direitos Humanos da Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou o Irã na semana passada por sua repressão aos manifestantes. O embaixador iraniano na ONU criticou duramente a resolução.

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