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Santa Casa de Jaú usa botox para tratar de incontinência urinária

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - A Santa Casa de Jaú (47 quilômetros de Bauru) está iniciando tratamento para bexiga hiperativa com o uso de toxina botulínica tipo A – Botox. O tratamento terapêutico é disponibilizado pelo Sistema Público de Saúde (SUS) e coberto pelos principais planos de saúde (contratos de acordo com a Lei 9656/98). A aplicação da toxina botulínica faz parte de um tratamento multidisciplinar de reabilitação que envolve neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, ortopedistas, entre outros profissionais.

Embora tenha ficado famoso no mundo todo pelo uso cosmético no tratamento de rugas, o Botox é usado há mais de 20 anos para fins terapêuticos. Entre os milhões de pessoas beneficiadas pela toxina estão pessoas com paralisia cerebral, as que sofreram derrame Acidente Vascular Cerebral (AVC), lesões medulares, entre outros casos médicos.

A toxina chegou ao Brasil em 1992, para o tratamento de estrabismo e distonia. Hoje já são oito indicações aprovadas no País: distonia, estrabismo, blefaroespasmo, espasmo hemifacial, rugas de expressão, espasticidade, hiperidrose e bexiga hiperativa.

Aplicada diretamente no músculo, a toxina promove seu relaxamento temporário, o que minimiza contrações involuntárias e a rigidez excessiva, seqüelas comuns em pacientes vítimas de AVC e crianças com paralisia cerebral, por exemplo. A toxina não trata as causas das doenças, mas atenua os sintomas e seqüelas e, especialmente, ajuda os pacientes a recuperar a qualidade de vida.

Em geral, as doenças que podem ser tratadas com Botox comprometem significativamente o bem estar dos pacientes. No caso do blefaroespasmo, as piscadas dos olhos constantes comprometem muito a visão; a espasticidade restringe atividades simples do dia a dia, como vestir-se, comer, andar, e a bexiga hiperativa e a hiperidrose afetam a auto-estima das pessoas, causam restrições sociais e podem, inclusive, levar à depressão.

A bexiga hiperativa consiste em uma alteração funcional da bexiga. Provoca contrações involuntárias do órgão e estimula a vontade excessiva e repentina de urinar, mesmo em pequenos volumes. Na prática, não se consegue comandá-la e o portador pode, inclusive, perder urina - o que configura um quadro de incontinência urinária. A principal vantagem do tratamento é que ele é minimamente invasivo e promove uma grande melhora na qualidade de vida do paciente”, explica o Tadeu Tamanini urologista do hospital e especialista no assunto.

O primeiro paciente tratado, Jonas de Oliveira, 51 anos, já sentiu diferença na primeira aplicação que fez, em setembro deste ano. “O tratamento surtiu efeito logo na primeira aplicação, e reduziu os episódios de perda de urina, diminuindo o uso de fraldas. Hoje consigo sair mais de casa e fazer as minhas atividades normais, sem me preocupar com a incontinência urinária”, afirmou.

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