Brasília - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o crédito no Brasil aumentou muito nos últimos anos e que ainda há muita margem para crescer. “Deveremos de fato ter crédito disponível em condições melhores ainda para este Natal. Deverá ser um Natal excelente”, disse.
O presidente falou também que a forte tendência de queda dos juros de empréstimos bancários deve continuar, o que é positivo para a economia brasileira.
Dados preliminares divulgados ontem mostram que os juros dos empréstimos bancários voltaram a cair em novembro, após a alta vista em outubro. O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, disse que isso pode fazer com que os juros de empréstimos para pessoas físicas poderão chegar ao Natal com as menores taxas da história.
Segundo Maciel, a taxa de juros geral caiu 0,6 ponto percentual até o dia 13 de novembro, em relação ao total registrado em outubro, quando ficou em 35,6% ao ano. Os juros para pessoa física foram os que registraram maior queda nos primeiros 13 dias do mês, de 0,8 ponto percentual, passando para 43,4% a.a., o que seria a menor taxa da série histórica, iniciada em 1994. Para pessoas jurídicas, a taxa no início de novembro recuou 0,3 ponto percentual, ficando em 26,2% ao ano.
O presidente do BC esteve ontem em palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef). Ele voltou a afirmar que o Brasil já superou a crise, mas que no entanto há uma preocupação sobre a “recaída americana”. Segundo Meirelles, “o risco existe, mas o Brasil está preparado, tem condições econômicas solidas”.
Ele disse que se houver outra crise mundial o Brasil será atingido de uma forma completamente diferente, pois está fortalecido. Meirelles ponderou, contudo, que uma recaída americana é possível mas pouco provável.
Meirelles afirmou ainda que “o Brasil tem condições de sair com sucesso de uma crise externa”. Meirelles disse que, tendo passado pela crise, o governo brasileiro já começa a pensa nos desafios a longo prazo que o país pode enfrentar. “Começamos a perder o interesse pela crise e isso é excelente”, afirmou.
O presidente do BC reforçou que o Brasil saiu da crise rapidamente por dedicar-se a uma reorganização financeira do Estado brasileiro e a metas ajustadas de inflação. Além disso, ele ressaltou que o governo acumulou um colchão de liquidez com os depósitos compulsórios.