Turismo

Trancoso: o destino do momento

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Imagine-se em um lugar mágico, onde tudo parece estar em seu devido lugar. Assim é Trancoso, distrito que nasceu em 1586 e em 1759 foi elevado à vila. É originário de uma antiga aldeia jesuítica denominada São João Batista dos Índios.

O Quadrado (quadro em movimento), típica forma de povoamento dos jesuítas, concentra a igreja e as casinhas, que a partir do crescimento da atividade turística foram transformadas em lojas, bares, restaurantes e pousadas de alto nível. Árvores centenárias, como jaqueiras, mangueiras, amendoeiras e jacarandás, emolduram e dão um clima todo especial ao Quadrado, que resume boa parte da vida de Trancoso.

Do mirante, localizado atrás da igreja, descortina-se uma deslumbrante vista do mar de Trancoso. Por estas e outras Trancoso encanta visitantes brasileiros e estrangeiros de várias partes do mundo. Muitos deles não resistiram aos encantos do lugar e deixaram tudo para viver lá. A mistura de línguas e etnias forma uma diversidade cultural que se manifesta como uma atração à parte, onde as pessoas da terra convivem harmonicamente com os novos moradores. O resultado da mistura se reflete na gastronomia variada e no modo de vida do lugar.

As praias de Trancoso proporcionam momentos de verdadeiro deleite. Do Rio da Barra à praia dos Coqueiros são vários quilômetros de praias transparentes, entrecortadas por rios, e mangues, um dos ecossistemas mais ricos e produtivos da terra. As águas límpidas e mornas são um convite irresistível ao mergulho.

Barracas de praia com cobertura de piaçava oferecem mais conforto e opções gastronômicas, como peixe assado na telha, lagosta, moqueca de peixe, casquinha de siri, carnes e mariscos em geral.

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Hippies

Descoberto por hippies na década de 70, Arraial d’Ajuda tem atraído turistas brasileiros e estrangeiros, sem perder a magia que encanta a todos que passam buscando um reencontro com a natureza e sem abrir mão do conforto.

Crianças, jovens e adultos podem encontrar muita diversão no roteiro que inclui as praias de Apaga-Fogo, Aracaípe, Mucugê, Parracho, Pitinga e Taípe, além do parque aquático, o Arraial D’Ajuda Eco Parque, que oferece muita emoção à beira mar.

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Caraíva: um paraíso a ser desvendado

Em Caraíva, pacata vila de pescadores a 70 quilômetros de Porto Seguro, o visitante tem a impressão de que o tempo parou, deixando reinar soberana a natureza, ainda totalmente preservada. Logo na chegada, uma exuberante paisagem se abre na ladeira de acesso ao lugar: o rio de um lado, a vila no meio e no fundo o estonteante azul do mar, emoldurado pelos coqueirais.

Durante muitos anos, o povoado não possuía energia elétrica e era grande o esforço de proprietários de pousadas, bares e restaurantes para garantir o conforto dos visitantes à custa de geradores movidos a óleo diesel. Desde 2008, a energia elétrica chegou à antiga vila de pescadores, trazendo maior comodidade, mas sem ofuscar o brilho das estrelas, nem disputar com a luz do luar, preservando o encanto e a magia do povoado.

A dificuldade de acesso, com alguns quilômetros de estrada de terra, favorecem a preservação da vila, com seu estilo rústico e ao mesmo tempo sofisticado. Muitas pessoas trocaram as comodidades da cidade grande por um pedaço deste paraíso, onde os grandes espetáculos são protagonizados pela natureza, a cada nascer da lua e pôr-do-sol, a cada canto dos pássaros ou a cada cantiga entoada pelo vento.

Mas nem só de natureza vivem os turistas e moradores de Caraíva. Bares e restaurantes levam animação aos visitantes, com direito a forró e arrasta-pé de domingo a domingo.

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Canoas garantem acesso à vila

O rio Caraíva é a alma do povoado de Caraíva e a vida dos moradores corre em função dele. Tanto que até a década de 80, a ocupação do povoado se restringia a suas margens. Até hoje, só é possível chegar até Caraíva a bordo de canoas guiadas por condutores experientes, que compartilham com os visitantes os primeiros deleites de uma paisagem exuberante.

Carros, ônibus e motos não entram nas ruelas de areia, apinhadas de árvores frutíferas realçando a face bucólica do povoado. Assim, as carroças são os principais meios de transporte utilizados, principalmente para o de pessoas, malas e outros pertences.

Depois do turismo, a pesca é a principal atividade econômica local, seguida de perto pelo artesanato em madeira e coco, produzidos em sua maioria pelos índios da etnia Pataxó da reserva de Barra Velha.

As praias revelam belezas inimagináveis, com suas areias salpicadas de conchas, búzios e corais. Alguns restaurantes à beira-mar garantem a água de coco gelada e uma boa comida - da tradicional culinária baiana e seus temperos, passando pelos saudáveis pratos da cozinha vegetariana até a cozinha internacional.

Para quem deseja sossego e tranqüilidade, Caraíva é o porto certo. Pescadores jogando suas redes, jegues carregando mansamente suas cargas, mulheres lavando roupas no rio são cenas típicas deste vilarejo, onde parece que o tempo parou.

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Parque Marinho da Praia do Espelho

A Praia do Espelho, considerada por publicações especializadas uma das dez mais bonitas do País, passará a ser um parque marinho a partir do final deste ano. O projeto de lei da Prefeitura de Porto Seguro já está em fase de conclusão e será avaliado pelos moradores do local e pela Câmara Municipal.

O objetivo é criar padrões para o uso e exploração da praia, que conta com mais de 100 espécies de corais raros na costa do Nordeste brasileiro, além de um amplo ecossistema.

O Parque Marinho Municipal da Praia do Espelho será delimitado em uma área de 75 quilômetros quadrados que se estende do Rio dos Frades até a Ponta do Camarão. Deste total, sete quilômetros são dentro do mar.

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Porto Seguro, Ruben Zaldivar, os aspectos considerados no projeto visam dar sustentabilidade ao paraíso quase intocado que é a Praia do Espelho.

Entre as regulamentações, estão a proibição da pesca e da retirada de corais, proibição da passagem de cavalos e cachorros em determinados locais, horários determinados para a retirada do lixo e descarga de materiais, além do controle e limitação de acesso de vans.

“Estamos discutindo este projeto desde o começo do ano, e as ações pretendem proteger as espécies de corais, a desova de tartarugas marinhas e até de cavalos marinhos raros na costa brasileira”, disse.

Após a instalação do parque, a idéia é elaborar um plano de manejo do local, criando também o inventário das espécies.

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Exemplo

A criação do Parque Marinho Municipal da Praia do Espelho se baseia no exemplo bem-sucedido do Parque Marinho do Recife de Fora, também em Porto Seguro, que contempla uma área de corais de 17 quilômetros quadrados mar adentro.

No local, foi delimitado um espaço de 1% para visitação dos turistas, sem comprometer o ecossistema que, constantemente, recebe baleias, tartarugas e espécies raras de peixes.

A visitação de turistas também foi restrita a uma média de 400 visitantes por dia, no máximo, que seguem regras para visitação, como adentrar apenas com a maré enchendo, não jogar lixo e não ultrapassar o espaço determinado para embarcações e pessoas.

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