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Prédio do BTC poderá ser tombado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Vendida no final de outubro, parte da sede social do Bauru Tênis Clube (BTC) poderá ser tombada, em breve, pelo patrimônio público. Em reunião realizada ontem, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) aprovou, por unanimidade, a abertura do processo de tombamento do prédio do famoso “Transatlântico de Luxo” de décadas passadas, excluindo os espaços externos que abrangem cerca de 80% da área.

O pedido foi apresentado por representantes da Associação dos Amigos do Museus de Bauru em encontro realizado na Associação dos Arquitetos, Engenheiros e Agrônomos (Assenag). Entre outros motivos, a entidade justifica a necessidade de preservar o prédio da quadra 12 da rua Gustavo Maciel intacto em razão de seu valor arquitetônico, político, cultural e histórico.

“O pedido foi feito exatamente por causa da venda. Mas nosso objetivo não é provocar entraves ao novo proprietário. Pelo contrário, o tombamento poderá valorizar ainda mais o prédio”, argumenta Fábio Pallotta, vice-presidente da associação, conselheiro do Codepac, sócio do BTC e ex-atleta do clube. Também para não impedir uma futura modificação da área, os espaços externos que já não mantêm seus projetos originais não foram incluídos no pedido da entidade.

De acordo com Pallotta, a iniciativa visa evitar que a tradicional sede, palco de luxuosos bailes e de apresentações culturais memoráveis, seja demolida. “O espaço onde ocorreram tantos carnavais, bailes de debutantes, shows com artistas como Ney Matogrosso e Marília Pêra não pode ser destruído”, complementa. Para reforçar os argumentos apresentados, a Associação dos Amigos do Museus de Bauru já solicitou parecer do Ministério Público.

Próximos passos

O vice-presidente explica que os próximos procedimentos para dar andamento ao processo de tombamento incluem comunicar sobre a proposta o BTC e o empresário Venâncio Alvarez Ocampo, mais conhecido como Lino Alvarez, proprietário do Grupo Pontepedras, que adquiriu o imóvel. A eles, será enviado todo o levantamento histórico realizado pelo Codepac para justificar a importância da preservação da sede social.

Em seguida, o conselho aguardará uma contra-notificação do comprador, que será avaliada antes que o pedido tenha prosseguimento. Mas, para Hedivaldo Canho, vice-presidente do Codepac, o entendimento da entidade “dificilmente será outro”.

Segundo ele, o processo, até a decisão final que deverá ser tomada pelo prefeito Rodrigo Agostinho, pode durar aproximadamente um ano. “O pedido já está muito bem documentado, mas existe todo um encaminhamento a ser dado, então não é possível prever um prazo exato”, pondera.

No entanto, Canho destaca que, se for mesmo tombado, o prédio da sede social não ficará, necessariamente, intocado e explica que qualquer alteração futura deverá passar pelo crivo dos membros do Codepac. “Nós tentaremos preservá-la o máximo possível em razão dos interesses da comunidade por ser um patrimônio cultural, mas também contemplaremos os interesses do novo comprador. Esse foi sempre o trabalho da entidade”, finaliza.

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