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Casos de tumor de intestino aumentam com má alimentação

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Uma dieta com alto conteúdo de gordura, carne vermelha e baixo teor de cálcio, além de obesidade e sedentarismo, são fatores que contribuem para o câncer de intestino (cólon e reto). Além disso, a artificialização dos alimentos, os conservantes e os corantes expõem demasiadamente a mucosa intestinal a agentes com os quais o corpo não está preparado, explica Paulo Eduardo de Souza, médico oncologista. Conseqüentemente, muitas pessoas desencadeiam um processo inflamatório crônico que se estende por muitos anos e culmina no surgimento do tumor.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de intestino será o terceiro tipo de tumor de maior incidência no Brasil em 2010, passando o de pulmão. De acordo com os dados do órgão, serão diagnosticados 56 mil novos casos de câncer do intestino até 2011 no Brasil - 28 mil por ano - e 55 mil no pulmão, o que implica na média de 27,5 mil por ano.

Nos países desenvolvidos, os tumores intestinais ficam atrás apenas dos localizados na próstata. Nas regiões mais ricas do Brasil, Sul e Sudeste, este tipo da doença já está em segundo lugar no ranking.

Dados do Inca apontam que o câncer de mama continua a ser o mais freqüente nesta população, mas os tumores no cólon e reto serão até mais comuns que o de colo do útero. Souza explica que a alimentação adequada reduz em 40% a chance do aparecimento de câncer no aparelho digestivo, principalmente no cólon. Já o controle do tabagismo representa 30% menos possibilidade de desencadear a doença.

“Se acrescentar uma atividade física a chance da pessoa desenvolver um câncer reduz drasticamente. A boa alimentação associada a uma atividade física é a fórmula para uma longevidade saudável”, afirma o médico. “Claro que existem as famílias com pré-disposição para essa situação. Nestes casos, nem sempre esses cuidados influenciam de forma direta. Outra informação importante é que a probabilidade do homem ou da mulher desencadear este tipo da doença é a mesma”, acrescenta.

A estimativa de novos casos de câncer é divulgada pelo Inca a cada dois anos e tem como base os Registros de Câncer de Base Populacional de 20 cidades. No total, dois em cada mil brasileiros terão algum tipo de câncer em 2010. O instituto prevê 489.270 novos casos da doença no ano que vem (para 2008 e 2009, a previsão foi de 466 mil novos casos por ano). Desse total, 52% atingirão mulheres, e 48% homens.

De acordo com Souza, em duas décadas o câncer vai se tornar a primeira causa de mortes no Brasil. “A incidência da doença tem aumentado significativamente nos últimos anos”, revela.

Envelhecimento

O câncer é uma doença ligada ao envelhecimento, explica Souza. A população acima de 65 anos é mais vulnerável. “Quanto mais idoso, mais comum o surgimento da doença. Antigamente não haviam tantos casos porque as pessoas viviam menos. Elas morriam de problemas cardiovasculares, muitas vezes relacionado a alimentação inadequada”, revela o médico. “O brasileiro come muito mal, além de fumar muito, apesar do índice de fumantes apresentar diminuição. Com o aumento no tempo de vida, o ser humano se expõe mais à possibilidade do câncer”, complementa.

Segundo o médico, o câncer de pele ainda é o que apresenta maior incidência em todo o mundo. “Por isso tempos uma preocupação permanente. Ele é fácil de ser diagnosticado e, como em todos os tipos da doença, quanto mais cedo se descobre, maior a chance de cura”, afirma. “O que falta aos brasileiros é educação para saúde. Na medida que ele saiba reconhecer as alterações em torno do seu corpo, os sinais, o diagnóstico será precoce e a chance de cura maior”, finaliza Souza.

De acordo com o Inca, em 2010, o tipo de câncer mais comum será o de pele. No total serão 113.850 casos. A doença pode ser prevenida com o uso de filtro solar e de roupas e chapéus que protejam da radiação. Outra recomendação é evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h.

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Dia Nacional de Combate ao Câncer

Criado em 1988, o Dia Nacional de Combate ao Câncer (27 de novembro) foi instituído com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre o tratamento e, principalmente, sobre a prevenção da doença.

A Portaria do Ministério da Saúde GM nº 707, de dezembro de 1988, que regulamenta as comemorações, estabelece que a data seja uma oportunidade para “evocar o importante significado histórico das entidades de combate ao câncer, de consagração aos inúmeros e valiosos serviços prestados ao país e proporcionar importante mobilização popular quanto aos aspectos educativos e sociais na luta contra o câncer”

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