Brasília - Paulo Freire foi considerado ontem anistiado político pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. A viúva do educador, Ana Maria Araújo Freire, vai receber R$ 100 mil de indenização pelo reconhecimento de perseguição política entre 1964 e 1979.
O julgamento público ocorreu ontem, durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, na presença de educadores brasileiros e de outros países.
“É um pedido concreto de desculpas pela perseguição que ele sofreu”, afirmou o presidente da comissão, Paulo Abrão. O local escolhido para a sessão “é uma forma de demonstrar que os profissionais que sofreram perseguições deveriam ser exemplo, para manter as conquistas pelas quais eles lutaram”, disse Abrão.
As perseguições listadas pelo Ministério da Justiça são: a aposentadoria compulsória do curso de História e Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco com o primeiro Ato Institucional, a exclusão do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco e a prisão por 70 dias - tendo Freire, então, partido para o exílio.
“Foi muito emocionante, em meio aos professores e à viúva dele. Ela disse que era um desejo que ele tinha o de ser anistiado, deixar a ficha limpa. E que, talvez, ele não tivesse a idéia de que seria um instrumento de educação dos direitos humanos”, disse Abrão.
Uma frase divulgada pelo Ministério da Justiça creditada ao presidente Lula diz que essa anistia “é libertar o Brasil da cegueira moral e intelectual que levou governantes a considerarem inimigos da Pátria educadores que queriam libertar o país do analfabetismo”.
A decisão da comissão será encaminhada ao ministro Tarso Genro (Justiça). Se aprovada por ele, será publicada no “Diário Oficial” da União. Abrão acredita que isso possa ocorrer ainda esse mês.