Éramos amigos e companheiros, André e eu. Morávamos na zona norte de São Paulo e militávamos no movimento estudantil secundarista. Foram muitas as passeatas, panfletagens, reuniões, enfim, os momentos que estivemos juntos compartilhando dos mesmos sonhos e ideais. André, o Massafumi Yoshinaga, sai do movimento em 1969, envereda pela luta armada e acaba, após sua prisão e um tumultuado processo de acusações injustas e infames, tirando a própria vida aos 27 anos, em 1976.
Numa fria tarde de um domingo do inverno de 1968, estávamos reunidos na antiga Faculdade de Filosofia da USP, na rua Maria Antônia. Saio da reunião e deparo-me com dois cidadãos encapotados que procuram o André. Preocupado com nossa segurança, volto à sala e alerto os participantes da reunião sobre a dupla. André vai até a porta, identifica os dois e pede que eu o acompanhe. - Luis, disse ele, quero que você conheça o capitão, apresentando-me a Lamarca e seu acompanhante, Darcy Rodrigues, os quais, alguns meses depois, passariam para a clandestinidade. Dia desses, numa das inúmeras reuniões da campanha eleitoral bauruense de 2008 encontro com Darcy e relembro a história. Choramos!
Contada por Luis Freitas