Brasília - Uma investigação da Polícia Federal (PF), batizada de Operação Caixa de Pandora, flagrou no governo José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal, um esquema de cobrança de propinas e distribuição do dinheiro pela base aliada, numa espécie de mensalão local que envolve pelo menos quatro secretários e quatro deputados distritais.
O próprio governador Arruda aparece nos documentos da PF e no despacho do ministro-relator do caso, Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), orientando o secretário Durval Barbosa (Relações Institucionais) a “entregar R$ 400 mil a Maciel, para pagamento da base aliada”. José Geraldo Maciel é o chefe da Casa Civil de Arruda.
A operação provocou um clima de apreensão em toda a cúpula nacional do DEM. Único governador do partido, Arruda estava com a exposição em alta na mídia nos últimos meses. Dava entrevistas a grandes veículos de comunicação, com o intuito de valorizar a imagem da legenda em todo o País. Comandará os festejos dos 50 anos da Capital. Por isso, integrantes do DEM no Congresso passaram o dia preocupados, tentando obter mais informações da operação da PF.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) classificou o caso de “muito grave e um acontecimento que preocupa muito”. “Não posso falar por todo o partido, mas eu estou preocupado sim. O DEM não pode tolerar desvios. O momento é de aguardar, mas estamos todos tensos”, disse Demóstenes.
O presidente nacional da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que o “governador é e vai continuar sendo uma vitrine para o DEM”. “Da nossa parte cabe agora dar todo o apoio possível. Ele é um governado muito bem avaliado e já disse que vai colaborar com as investigações, o que é fundamental neste momento. Agora, o que é estranho é que criaram fatos consumados antes mesmo do final das investigações”.
O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN) disse achar estranho que “isso venha à tona em ano pré-eleitoral”: “O momento é de esclarecimentos sobre as acusações e sobre a defesa, mas acho que a imagem do partido não fica nem abalada nem desabalada (com a operação da DF). O partido mantém a confiança em seu governador”.
Reunidos ontem em Natal (RN), alguns dos principais dirigentes do DEM conversaram com Arruda pela manhã. Segundo eles, o governador mostrou tranquilidade e tentou jogar as denúncias nas costas de seu ex-aliado e atual desafeto político, o ex-governador do DF Joaquim Roriz (PSC). Na Câmara Legislativa, a oposição já fala em cassar Arruda.