Nova York - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) adotou ontem a primeira resolução contra o programa nuclear iraniano desde 2006, abrindo caminho para a imposição de novas sanções do Conselho de Segurança da ONU contra Teerã.
O governo iraniano disse que a medida é uma “intimidação” que afetará as negociações com as grandes potências e não o impedirá de continuar enriquecendo urânio.
A resolução foi levada à votação dois meses depois de ter sido revelada a existência de uma central nuclear em construção nos arredores da cidade sagrada de Qom, ao sul de Teerã.
Há suspeitas de que o Irã só anunciou à AIEA (ligada à ONU) que estava construindo a planta depois de descobrir que serviços secretos ocidentais a haviam detectado. Segundo a agência, a construção começou em 2002, e não em 2007, como os engenheiros iranianos relataram aos inspetores que visitaram o local no mês passado.
O texto aprovado ontem exige de Teerã que suspenda imediatamente as obras e explique detalhadamente o propósito da central, cujas fundações estão escondidas numa montanha.
O Irã alega que a central de Qom serve para poder continuar enriquecendo urânio caso a de Natanz, já operacional, seja atacada, e nega acusações de que busca a bomba atômica.
Brasil se abstém
Dos 35 países membros da agência nuclear da ONU, 25 votaram a favor da resolução, três (Cuba, Venezuela e Malásia) contra e seis, entre eles o Brasil, se abstiveram. O representante do Azerbaijão não compareceu à votação.
Mas não ficou claro se a medida, patrocinada por seis potências mundiais, poderia se traduzir em apoio da Rússia e da China para sanções que os líderes ocidentais possam aplicar ao Irã caso o país não comece a dispersar as suspeitas sobre sua ambição nuclear.
EUA ‘intimidam’
Os EUA cobraram hoje do Irã que entenda que “a paciência tem limites” e afirmaram que os apoios de Pequim e Moscou evidenciam o crescente isolamento de Teerã.