Tegucigalpa - As partes envolvidas na grave crise política de Honduras fizeram ontem apelos conflitantes para que a população participe ou não da eleição de domingo, que também causa divisões entre os Estados Unidos e os governos da América Latina.
Na TV hondurenha se multiplicam os anúncios com pessoas sorridentes e fala coloquial chamando para a votação, que é facultativa. Já o presidente deposto Manuel Zelaya, há dois meses refugiado na embaixada brasileira, conclamou seus seguidores a irem no domingo às praças públicas mostrar o dedo sem a tinta indelével, que identifica os eleitores que já votaram, num sinal de que “não apoiam a legalização dos golpistas”.
A expectativa é a de que, por causa da crise e da violência políticas, a participação neste ano seja inferior aos 55 por cento de 2005.
O Brasil e vários outros governos latino-americanos já deixaram claro que não reconhecerão o resultado das eleições promovidas pelo governo de facto que tomou o poder depois do golpe militar de 28 de junho. Os EUA, por outro lado, dizem que a eleição é a melhor forma de resolver a crise. Outro país importante da região, o México, afirmou que ainda não formou uma opinião.
Na sexta-feira o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que tentou sem sucesso mediar a crise, e o governo do Peru também manifestaram apoio ao pleito.
Arias, que recebeu Zelaya em seu país quando ele foi expulso de Honduras de pijama
Mas duas entidades que tradicionalmente enviam observadores para eleições nas Américas - a Organização dos Estados Americanos e o Centro Carter - desta vez decidiram não mandar representantes. Essa tarefa ficou a cargo de outras organizações civis e de ex-presidentes, muitos deles considerados não-isentos.
UE ainda indefinida
Já a União Européia ainda não anunciou se reconhecerá ou não as eleições de domingo, apesar de não manter contatos diretos com o governo de fato.
“Como vamos falar de algo que ainda não aconteceu? Não posso especular sobre qual será a reação da UE depois das eleições”, afirmou Christiane Hohmann, porta-voz da comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner.
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Maioria da Unasul não reconhecerá
Quito - Na divisão dos países da região a respeito do reconhecimento da eleição presidencial de Honduras - diferença que também surgiu ontem na reunião da Unasul (União de Nações Sul-Americanos), em Quito -, chama a atenção um silêncio eloquente: o do México.
O país diz não ter escolhido o seu bloco: o de alinhamento aos EUA, que inclui Peru, Colômbia, Panamá e Costa Rica, que reconhecerão a eleição “caso tudo corra bem’’; e a aliança de Brasil, Chile, Venezuela, Argentina, Bolívia, Nicarágua e Cuba, para a qual reconhecer a votação é um péssimo precedente para as democracias em consolidação.
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Candidato favorito diz que ‘baterá na porta’ de Lula se ganhar
Tegucigalpa - O candidato favorito às eleições que serão realizada amanhã, o opositor Porfirio Lobo, disse ontem que se vencer o pleito “baterá na porta” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lobo, candidato do Partido Nacional e derrotado na eleição de 2005 pelo agora presidente deposto Manuel Zelaya, pediu aos países que condenaram as eleições de domingo que reconsiderem sua posição contra o pleito.
“Estaremos batendo à porta do presidente Lula e de todos para restabelecer canais de amizade com todas as nações”, disse o candidato de 61 anos em uma entrevista à imprensa estrangeira, na qual disse ser admirador do governo Lula.
“Eu sei que no final nenhum país vai poder negar o direito de um povo de eleger”, disse Lobo, que assegurou que está fazendo contatos com “países amigos”, que se negou a identificar, pensando na situação posterior ao pleito.
O candidato do Partido Nacional afirmou que “o importante é entender” que seu partido está “muito interessado na relação internacional com outros países”.
“No caso do Brasil, é um país que admiramos e respeitamos muito, estamos muito interessados inclusive em ir ao Brasil e ver seus programas, como a Bolsa de família”, disse.