JC Criança

Especial Crianças com deficiências: O normal é não ser igual


| Tempo de leitura: 5 min

Esta edição do JC Criança está especial. Ela conta a história de crianças com deficiências. Pequenos como você, mas que nasceram ou adquiriram falta de habilidade para alguma coisa específica ao longo da vida. Mesmo com alguns limites, eles são felizes, capazes de estudar, brincar e levar uma vida saudável e normal.

Existem diversos tipos de deficiências, como motora, intelectual, sensorial... (leia mais sobre elas na página 9) e as crianças que nascem com elas ou as adquiriram por algum motivo podem ter ritmos de aprendizagem diferentes e precisar de adaptações, porém as deficiências delas não as tornam pessoas piores ou melhores do que qualquer outra.

Se a garotada com deficiências pode ter dificuldades em algumas atividades do cotidiano, por outro lado pode apresentar grande habilidade para fazer outras coisas. Elas têm os mesmos direitos, medos, sentimentos e sonhos, assim como você e todo mundo. Por isso, entrevistamos algumas delas para que você conheça a história e a vida de algumas delas e comece a refletir que o legal e - o normal - é não ser igual.

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Pequena amante da natureza

“Sou Nádia Yussef Valderramas, tenho 9 anos e amo plantas e animais. Quando tinha 6 meses de idade, minha mãe descobriu que eu nasci com uma lesão cerebral que causa dificuldades de locomoção, então uso cadeira de rodas para andar. Mas isso não me impede de fazer um montão de coisas legais. Preciso de ajuda para algumas delas, mas faço grande parte dos meus deveres e atividades sozinha. Estou no 3º ano do ensino fundamental e estudo com um computador para facilitar meu aprendizado. Para ficar ainda mais esperta e me desenvolver, freqüento a Apae, onde faço fisioterapia, terapia ocupacional e converso com psicólogos. Amo cavalos e eles me ajudam com as aulas de eqüoterapia. Gosto muito de festas e de brincar com outras crianças. Ah, também sei pintar. Invento coisas quando pinto, quero ser bióloga e ter uma floricultura quando crescer.”

Gosto mesmo é de aprender’

“Tenho 9 anos de idade e meu nome é Kauê Gabriel Ignácio. Eu preciso de cadeira de rodas para andar, mas minha dificuldade é outra. Minha avó conta que, quando minha mamãe estava grávida, ela passou por muitos problemas e situações nervosas, talvez foi por isso que nasci com limitações de crescimento e locomoção. Sou o pequeno anjo da minha casa. Todos me dizem isso. Estudo bastante e gosto mesmo é de aprender o alfabeto. Quando chego em casa, vou direto fazer o dever. Depois brinco, brinco e brinco com a meninada da minha rua. Não gosto muito que as pessoas fiquem me bajulando, prefiro fazer as coisas sozinho. Na Apae, tem umas moças boazinhas que me fazem fisioterapia, elas massageiam meu corpo e me deixam bem relaxado. Sou muito feliz porque tenho carinho e atenção!”

Miniprofessora

“Oi, sou a Naira Maria Afonso Viana e tenho 10 anos. Vou contar para vocês o que mais gosto de fazer todos os dias. Estudo no 1º ano do ensino fundamental, no Colégio São José, onde aprendo a ler, escrever e a ser uma pessoa boa. Lá, também tenho muitos amigos. Faço aulas de música e de dança. Adoro dançar! Dizem que pessoas com Síndrome de Down são muito felizes e ativas. E eu sou assim. Ajudo a professora e até dou broncas nos meninos que ficam conversando na aula. Sou vaidosa e não fico sem esmaltes nas unhas. Também gosto de conversar com as pessoas porque sou muito feliz. Sabiam que o Natal já está chegando? Eu ajudei a montar uma árvore em casa e até já pedi meu presente para o Papai Noel. Este ano fui uma boa menina, estudei, brinquei e fiz minha família feliz.”

‘Anjo’

“Meu nome é Anjo. Na verdade, é Ana Júlia Santos Contin Silveira, mas todos me chamam de Anjo e acho isso o máximo. Já completei 8 anos e tenho Síndrome de Down. Estudo no colégio São José e gosto de fazer tudo na escola. Estudo e brinco bastante. Mas tem duas coisas que gosto mais que tudo: livros e pintura. Quando pinto e escuto uma história cheia de aventuras, solto minha imaginação. O último livro que ganhei é sobre piratas. Gostei muito mesmo. Quanto às pinturas, o azul, verde e vermelho são minhas cores preferidas. Faço paisagens da natureza com essas cores e me divirto de montão.”

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Fera na comunicação

“Meu nome é Lucas Cantalejo e tenho 14 anos. Nasci surdo e não aprendi a falar, mas me comunico muito bem. Sabem como? Através de sinais e de uma linguagem chamada Libras, que significa Língua Brasileira de Sinais. Minhas mãos são muito importantes porque é por meio delas que gesticulo e as pessoas me entendem. Estudo em escola pública e em minha sala há uma intérprete que me auxilia a entender todas as matérias. Além da escola, freqüento o Nirh desde 2004, uma instituição ligada ao Centrinho onde crianças, jovens e adultos com deficiências auditivas têm a oportunidade de aprender Libras e um montão de outras coisas importantes, como conhecimento de mundo, artes, dança e música. Quando tenho um tempinho, gosto de brincar, nadar, jogar futebol, basquete e videogame com meus amigos. Adoro estudar e quero fazer cursos de mecânica ou computação quando ficar mais velho. Minha vida é assim: cheia de afazeres, amigos e muita alegria!”

‘Gosto de fazer tudo sozinha’

“Olá, sou Isabella Vitória Grava da Silva e tenho 5 anos. Se um dia eu for falar de pertinho com você, talvez eu não consiga te ver direito porque tenho baixa visão. Tenho que ficar bem pertinho das pessoas e gosto assim porque sou carinhosa. Não vejo quase nada, mas me oriento bem pela voz das pessoas e pelo tato, ou seja, com minhas mãos. Quando eu nasci, minha mamãe descobriu que eu tinha algumas limitações, mas eu enxergava. Fui crescendo e, um dia, sofri convulsões que afetaram meu cérebro. Cheguei a ficar cega e ter outras dificuldades. Hoje, faço estimulação visual no Centrinho e fisioterapia na Sorri. Estou bem melhor. Embora precise de ajuda para algumas coisas, gosto de fazer tudo sozinha. Brinco de panelinhas, bonecas e tenho um irmão superbonzinho, o João Vítor, que brinca comigo. Outra coisa que gosto de fazer é tirar fotos bonitas, como esta que você está vendo.”

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