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Chuva volta a causar estragos em Bauru

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 3 min

A chuva voltou a provocar estragos na tarde de ontem, em diversos bairros de Bauru. Casas ficaram alagadas na Pousada da Esperança, Jardim Flórida e Nova Esperança. Semáforos entraram em pane, interrupções temporárias de energia elétrica chegaram a queimar eletrodomésticos no Parque São João e pelo menos um carro ficou “ilhado” no viaduto sobre a rodovia Marechal Rondon (SP-300). Apesar dos estragos, ninguém ficou ferido.

A tempestade também contribuiu para agravar um problema antigo na cidade: Bauru tem 3.500 ruas de terra que necessitam de instalação de galerias de águas pluviais. Bastam alguns minutos de chuva para torná-las intransitáveis. Além disso, pontos em avenidas que apresentam problemas de escoamento viraram grandes piscinões, como a Nações Unidas, próximo da rodoviária e viaduto da Fepasa, e a Rodrigues Alves, em cima da rodovia Marechal Rondon, onde um carro chegou a ficar preso na enxurrada e precisou da ajuda dos bombeiros para ser resgatado.

Para evitar novos incidentes, as vias foram interditadas em um dos sentidos. A precipitação também pode ter provocado pelo menos dez acidentes de trânsito, com vítimas leves, nas rodovias da região de Bauru, de acordo com informações da Polícia Rodoviária. Na rua Olga Santori Casal, no Jardim Flórida, uma cratera por pouco não engoliu um poste de energia elétrica, mas foi suficiente para derrubar uma pilha de tijolos, na casa do ajudante geral Ronaldo César Andrade, 24 anos. “O buraco começou a abrir durante a chuva de sábado. Estou preocupado. O poste pode cair a qualquer momento, tenho criança pequena em casa.”

A dona-de-casa Antonia Isabel da Silva, 71 anos, afirmou que nunca a precipitação tinha causado tantos estragos em sua casa. “A enxurrada foi muito forte e foi passando por tudo. Estou com medo de outra chuva como esta.” O pedreiro José Carlos Gouveia, 47 anos, tentou amenizar os estragos, durante a tempestade. “Coloquei uma capa de chuva e tentei barrar a enxurrada para não causar coisa pior.”

Na Pousada da Esperança, quatro casas foram inundadas. Cerca de 200 pessoas se revoltaram e fecharam ruas do bairro com galhos de árvores, impedindo o tráfego de veículos. O motivo foi a colocação de asfalto no local recentemente, sem a construção de galeria para águas pluviais. Sem escoamento adequado, a enxurrada atingiu a casa dos moradores. Eles procuraram o vereador Natalino da Pousada (PV), que integra a base do governo municipal e mora no local, para reclamar, mas não o encontraram. Prometeram cobrar o parlamentar hoje, na Câmara Municipal de Bauru.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, Bauru tem de 300 a 400 casas que podem apresentar problemas diante de tempestades dessa intensidade. “Algumas casas estão abaixo da altura da rua, o que facilita a entrada da enxurrada. A periferia está bastante prejudicada.”

No Parque São João, a queda temporária de energia queimou o aparelho de televisão, DVD e telefone da dona-de-casa Valdirene da Silva, 39 anos. “Deu um estralo e apagou tudo. Quando voltou, esses aparelhos não funcionavam e a geladeira está descongelando. Meu vizinho também reclamou que a TV dele queimou.”

O engenheiro líder da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) de Bauru, Gustavo de Paula Cortezia, informou que durante a chuva dois alimentadores de energia elétrica apresentaram problemas e causaram interrupções temporárias em algumas regiões. O desligamento de energia ocorre por 30 segundos. Por conta das descargas elétricas, o sistema de proteção desliga para evitar queima de equipamentos.

Mutirão

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou que nesta segunda-feira a prefeitura irá promover um mutirão, com a presença da Defesa Civil, Secretaria Municipal de Obras e ainda Departamento de Água e Esgoto (DAE), para tentar resolver o problema das ruas de terra em Bauru, que ficaram intransitáveis com a chuva. “Vamos dispor de todo maquinário da secretaria. Como há previsão ainda de chuva, não vamos fazer a reposição da terra, mas sim a terraplanagem para facilitar pelo menos o tráfego de veículos nos locais que mais precisarem.”

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