Genebra - Os países devem abandonar gradualmente o uso do medicamento estavudina, o mais comum na luta contra a aids, por causa de seus efeitos colaterais “duradouros e irreversíveis”, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) ontem. Numa profunda alteração das suas diretrizes, a OMS recomendou também que vítimas do HIV, inclusive grávidas, comecem a tomar os medicamentos antes, a fim de terem uma vida mais longa e saudável.
A OMS recomenda iniciar o tratamento quando a dosagem de CD4 (células de defesa atacadas pelo HIV) chegar a 350 células por milímetro cúbico. Hoje, a orientação é de tratamento obrigatório a partir de 200. “No Brasil, há recomendação de tratamento abaixo dos 350 desde 2008. Estamos discutindo começar mais cedo (entre 500 e 350) em casos especiais, como idosos, cardiopatas e doentes renais”, diz Denize Lotufo, infectologista do Centro de Referência e Treinamento em Aids da secretaria estadual.
Pela primeira vez, a agência da ONU orienta as soropositivas e seus bebês a usarem as drogas na fase da amamentação, para evitar a chamada transmissão vertical do vírus da aids.
A estavudina, também conhecida como d4T, é comercializada pelo laboratório norte-americano Bristol-Myers-Squibb sob o nome de Zerit. Os laboratórios indianos Cipla, Aurobindo Pharma e Strides Arcolab oferecem versões genéricas.
Amplamente disponível nos países em desenvolvimento, a estavudina é uma terapia de primeira linha, relativamente barata e fácil de usar, segundo a OMS. Mas ela gera distúrbios neurológicos que causam formigamento e queimação nas mãos e pés, além de perda de gordura corporal (lipotrofia), seqüelas que a OMS considerou “incapacitantes e desfigurantes.” Por isso, a agência recomendou aos países que gradualmente substituam a estavudina por alternativas menos tóxicas e “igualmente eficazes”, como zidovudina (AZT) ou tenofovir (TDF).