Economia & Negócios

Dólar baixo derruba preços no Natal

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

A euforia pós-crise parece mesmo ter tomado conta do comércio. No setor de supermercados, a expectativa é de que o Natal deste ano seja marcado pela queda nos preços dos produtos típicos, aliada ao aumento expressivo no volume de faturamento.

Projeções divulgadas ontem pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) dão conta de que, este ano, a cesta de Natal deverá ficar até 15% mais barata. A principal razão para o declínio nos preços está na baixa do dólar (ontem, estava cotado a R$ 1,722).

O valor da moeda norte-americana tem se mantido em patamares baixos há vários meses, favorecendo a entrada no País de produtos fabricados no Exterior. “A redução nos preços dos importados ajuda também a empurrar para baixo o custo dos nacionais”, explica Erlon Carlos Ortega de Godoy, diretor regional da Apas.

Muitos dos produtos típicos de Natal são fabricados no estrangeiro, entre eles as tradicionais frutas secas, o bacalhau, as nozes, os vinhos e os espumantes. Mesmo as aves típicas (peru e chester, principalmente) de origem nacional deverão apresentar uma sensível (bastante sensível, na opinião de Godoy) redução de valor, já que os preços dos cortes bovinos estão em queda no mercado.

Embora tais produtos já se encontrem à disposição nos supermercados, Godoy acredita que as “guerras de ofertas natalinas” começarão de fato apenas a partir do dia 15. “Os consumidores dificilmente irão às compras com muita antecedência, pois não têm condições de manter estoques em casa”, explica.

Para ele, aqueles que se anteciparem nas compras terão a chance de encontrar maior variedade nas gôndolas. Por outro lado, quem tiver paciência pode ser favorecido pela competição acirrada entre os estabelecimentos e pagar mais barato pela ceia de Natal. “É claro que existe o risco de não achar aquilo que procura, além do estresse de enfrentar lojas lotadas de gente”, pondera.

O economista bauruense Reinaldo Cafeo acredita que o movimento dos preços dependerá de como irão agir os consumidores. “Inicialmente, existe uma tendência de que os supermercados tentem oferecer preços cheios, segundo a lógica do ‘se pegar, pegou’. Caso passem os dias e os empresários sintam que os produtos não estão tendo saída, haverá uma grande chance de esses valores caírem”, afirma.

A explicação para isso é que grande parte desses produtos ou é perecível (caso do bom e velho peru) ou tem consumo sazonal (frutas secas, por exemplo, dificilmente são procuradas fora do Natal).

Crescimento

A Apas espera um aumento de 10% no faturamento do setor de supermercados, neste final de ano. Aumento na oferta de crédito, redução na taxa de juros e crescimento no grau de confiança do consumidor em relação à economia do País são alguns dos fatores que deverão colaborar para essa expansão.

“Um outro aspecto que deve colaborar para o crescimento do setor é que, este ano, Natal e Ano Novo cairão numa sexta-feira. Esses feriados prolongados representam famílias reunidas por mais tempo e mais refeições fartas”, pensa Godoy.

Cafeo faz coro às previsões, mas recomenda cautela aos consumidores. “O fato de as pessoas estarem mais confiantes em relação à economia faz com que o volume de vendas do comércio aumente. Precisamos lembrar, porém, que tudo aquilo que ocorre em exagero acaba dando problemas. É preciso comprar, sim, mas com a plena certeza de que está fazendo um bom negócio”, diz.

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Ipem

Uma operação especial realizada pelo Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP), na região de Bauru, constatou irregularidades em 11 dos 71 lotes de produtos natalinos analisados até o momento. Isso representa 15,49% do total.

Iniciada ontem, a “Operação Natal” seguirá até amanhã. Serão examinados produtos típicos da época - panetones, vinhos, frutas cristalizadas, espumantes, enfeites e papéis de presente -, vendidos em estabelecimentos de todo o Estado. Os resultados completos da fiscalização serão divulgados terça-feira que vem.

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