Uma suposta crise de abstinência de um morador da quadra 2 da rua Waldomiro Alves de Oliveira, no Núcleo Mary Dota, mobilizou mais de seis viaturas da Polícia Militar, dezenas de policiais militares da 4ª Companhia, oficiais da Força Tática, equipes do helicóptero Águia e do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu). Régis Bonfim de Oliveira, 33 anos, quebrou diversos objetos da própria casa, pegou uma faca e ameaçou se matar dentro de um dos quartos de sua residência.
A ocorrência começou às 8h30 e foram necessárias mais de sete horas para que os policiais o convencessem a receber atendimento médico no Pronto-Socorro Central (PSC). “Ele estava muito nervoso e decidido a se matar. Mas, através da técnica que a Polícia Militar dispõe, conseguimos levantar sua auto-estima e ele conseguiu entender que a melhor saída era acatar as nossas orientações”, destaca o tenente Bruno Mandaliti, comandante do 1.º Pelotão da Força Tática de Bauru, que chegou ao local por volta das 12h30 para coordenar as negociações com Oliveira.
Depois de sofrer a suposta crise, o homem deixou a casa devastada: móveis quebrados, vasos de planta em cacos e terra espalhada por todo canto. Policiais de várias patentes, enfermeiras e médicos ocupavam todos os espaços e tentavam convencer o homem a desistir da tentativa de suicídio. Por medida de segurança, além da presença de uma viatura do Samu, os policiais também estavam paramentados com pistolas de choque e sprays de gás pimenta, caso Oliveira decidisse atentar contra a própria vida.
Em meio ao caos, Nilva Bonfim, mãe de Oliveira, lamentava o ocorrido. Segundo ela, o filho era usuário de cocaína desde 2007 e estava sem se drogar há alguns meses. “Hoje (ontem) de manhã, fui correndo no Caps (Centro de Atenção Psicossocial aos Usuários de Álcool e Drogas) para ver se ele começava a fazer um tratamento sério. Desde que me aposentei, em junho, não deixo ele usar mais droga. Para mim, isso aí é crise de abstinência”, conta, salientando que os problemas com o filho se tornaram mais freqüentes nos últimos 15 dias.
Esforço
Nilva também lamenta que seu esforço não tenha sido suficiente. “Ele tem tudo, não é um ‘pé rapado’. Não deixo meu filho a Deus dará. Paguei até curso de pintura para ele. O duro é que não adianta eu ir no Caps sozinha, eles falam que ele precisa ir junto. Ele precisa querer se tratar, e ele não quer ir”, relata.
Os vizinhos se espantaram com tamanha movimentação e foram acompanhar o desenrolar dos fatos nos portões de suas casas. Apesar de não quererem se identificar, todos falaram que Oliveira nunca havia feito algo do tipo. Eles disseram saber que o vizinho era usuário de drogas, mas alegaram que o mais comum era ouvir apenas alguns gritos vindos de dentro de casa, de vez em quando.
Os policiais passaram a manhã toda conversando com Oliveira e atendendo a seus pedidos mais absurdos. Em um deles, ele pediu que os policiais do helicóptero Águia fossem até o local para desarmar uma suposta bomba que estaria no local.
Um sargento e um tenente compareceram à casa e simularam o desarmamento à bomba imaginária. Oliveira também pediu água, chocolate e cigarros. As solicitações também foram atendidas, mas ele mostrava-se irredutível. “Ele demonstrava um certo descontrole mental. Então, tudo o que ele dizia, nós ouvíamos e acatávamos”, pontua Mandaliti.
Um médico que estava no local chegou a sugerir que fosse oferecido a Oliveira um salgado contendo um medicamento sonífero para que os policiais pudessem rendê-lo. Mas a medida foi logo descartada. “Essa possibilidade foi abortada porque, se ele descobrisse, poderia botar toda a negociação a perder. O importante era manter a confiança que ele, aos poucos, estava depositando em nós”, frisa o tenente.
Oliveira decidiu se render por volta das 15h45 e, mais calmo, ainda fumou um cigarro antes de entrar na viatura do Samu. Já no PSC, ele foi submetido a avaliação médica e, até o final da noite de ontem, ainda permanecia em observação na unidade de saúde.