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Centrovias é multada por danos no Zôo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou ontem a Centrovias - empresa responsável pela administração da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, que liga Bauru a Jaú – pelos danos causados na reserva da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e, conseqüentemente, à lagoa do Zoológico de Bauru. A informação é de Luiz Pires, diretor do zôo. A multa é de R$ 500 mil.

Conforme o Jornal da Cidade noticiou em novembro, a erosão em uma área de preservação ambiental da universidade é apontada como responsável pelo assoreamento (perda da profundidade) da lagoa do Zoológico. Por conta disso, o local enfrenta problemas com a reposição de água do aquário, a produção de peixes destinados à alimentação de alguns animais e com a captação de água para os bichos.

A situação se agravou nestes últimos dias com a grande quantidade de chuva que atingiu a região. Pires avalia que a erosão aumentou em 40 metros nos últimos 10 dias e encheu o reservatório de lama. A lagoa, construída em 1977 junto com a infra-estrutura do zôo, passou pela primeira dragagem (retirada de terra, recurso usado para manter a profundidade) em 2005. Em contrapartida, apenas este ano o processo já foi realizado duas vezes e no mês passado, teve início a terceira ação.

“Há 14 dias uma draga do DAE (Departamento de Água e Esgoto) retira terra do fundo do lago, mas a situação hoje é pior do que estava há duas semanas”, conta. Anteontem, fiscais do Ibama estiveram no local e puderam comprovar o problema. Segundo Pires, ontem a empresa foi multada.

Na avaliação do diretor, o problema começou com a duplicação da rodovia. A empresa teria subestimado a quantidade de água do local e o dissipador instalado também foi insuficiente. O volume de água gerado tanto pela duplicação da rodovia quanto a água que chega na estrada pela avenida Nações Unidas é muito grande e o sistema de drenagem não dá conta. Direciona todo o volume para um único local.

A força da enxurrada acaba levando terra, deixando raízes de árvores à mostra e enchendo o reservatório do zôo de lama. Pires está preocupado com os próximos dias, já que o verão promete mais chuva. “O dano ambiental pode ser irreversível. Já é possível encontrar árvores mortas, além disso, a lagoa já está toda prejudicada”, pondera.

Ele destaca que o caso já é avaliado pelo Ministério Público, que instaurou inquérito para apurar a questão, e também pela Agência Reguladora dos Transportes do Estado de São Paulo (Artesp). Porém, o primeiro órgão a se manifestar pela reparação dos danos foi o Ibama. Pires reconhece que a empresa ainda pode recorrer da multa, mas avalia que o passo é importante. “Nos próximos cinco dias, se continuar chovendo dessa forma, a erosão deve atingir a alça de acesso à Nações.” O JC não conseguiu localizar representante da Centrovias para comentar o assunto.

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