Internacional

Comparecimento a eleições de Honduras pode não chegar a 50%

Folhapress
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Tegucigalpa - O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) de Honduras divulgou ontem que o comparecimento de eleitores às eleições do último domingo foi de 49%, no momento em que foram contados e processados os votos de 57% das mesas de votação.

Essa participação é bem inferior aos 62% anunciados pelos juízes do TSE no domingo, quando o conservador Porfírio Lobo, do partido Nacional, foi eleito o próximo presidente do país, em um processo eleitoral contestado por vários países, devido à deposição do presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho.

Zelaya, cujos aliados pediram um boicote à eleição, chegou a anunciar domingo que a votação tinha sido um fracasso, com até 70% de abstenção. Em sua eleição, em 2005, a abstenção foi de 45%, contra 51% da última parcial.

A participação da população é vista como um elemento importante para dar legitimidade a uma votação contestada internacionalmente. Uma minoria de países, entre eles os Estados Unidos, Costa Rica e Colômbia, considera a eleição como uma saída democrática para a crise.

Segundo o TSE, que por lei tem 30 dias para concluir a contagem e dar os resultados finais, até agora foram registrados um pouco mais de 1,3 milhão de votos e ainda é preciso verificar os votos de 43% das mesas.

No total, 4,6 milhões de hondurenhos estavam habilitados a votar nas eleições, que, além do presidente, também definiram os 128 membros do Congresso e 298 autoridades locais, além de membros do Parlacen, grupo parlamentar da América Central.

A OEA convocou ontem uma reunião extraordinária para debater o cenário da crise em Honduras, após as eleições e a rejeição do Congresso hondurenho à restituição.

Diante do racha entre seus países-membros, contudo, há pouca expectativa de um consenso sobre a questão, admitiram os representantes de vários países da organização.

Zelaya critica

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, criticou os governos que, segundo ele, apoiam “manobras” para “limpar o golpe de Estado”, referindo-se ao países que reconheceram as eleições de domingo, realizadas cinco meses após a sua deposição.

A reclamação foi feita em uma carta, divulgada ontem, que Zelaya enviou anteontem aos líderes do continente americano, à OEA (Organização dos Estados Americanos) às Nações Unidas e à União Européia (UE).

“Agradeço seu apoio por resgatar a vigência da democracia hondurenha e, da mesma maneira, ratifico minha enérgica reclamação aos governos que se pronunciaram em apoio às manobras para limpar o golpe de Estado, aprovando um processo eleitoral espúrio, que encobre as violações dos direitos humanos e das nossas leis, para deixar impunes seus crimes cometidos”, afirmou.

Em outro discurso transmitido pela Rádio Globo, Zelaya apontou os Estados Unidos entre os países que apoiariam o golpe de Estado com suas “manobras”’.

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