Internacional

Adversário de Morales sofre denúncia

Folhapress
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La Paz - O candidato à Presidência da Bolívia Manfred Reyes Villa foi alvo de denúncia de manipulação de votos ontem, apenas dois dias antes das eleições. Ele será investigado pela Procuradoria do país, a pedido da Corte Nacional Eleitoral da Bolívia (CNE). Segundo pesquisas de intenção eleitoral, o presidente Evo Morales se reelegerá ainda em primeiro turno, com mais de 50% dos votos.

Na gravação, a voz atribuída a Villa oferece US$ 150 mil a um interlocutor - supostamente o denunciante, já que teve a voz distorcida - em troca de ter o seu percentual de votos obtidos elevado em 21 pontos em quatro dos nove departamentos (Estados) do país. Desta forma, o opositor conseguiria forçar a realização de um segundo turno.

Nas últimas pesquisas de intenção de voto, Villa aparece ao menos 30 pontos percentuais atrás de Morales.

Conforme o ministro de governo, Alfredo Rada, a gravação chegou à CNE por meio de uma fonte anônima e já foi entregue à Procuradoria, para análise. Ele disse que o material é “verídico”, sem explicar como a gravação já podia ter sido verificada. “Não queremos e nem nos interessa simplesmente lidar com o escândalo. Queremos que seja investigado”, disse.

Rada afirmou a meios de comunicação que a gravação “mostra detalhes que têm a ver com um trabalho próprio da CNE”, em uma indicação de que o interlocutor misterioso possa ser um funcionário da corte.

O material também foi entregue ao chefe dos observadores que a OEA (Organização dos Estados Americanos) enviou ao país, Horacio Serpa, com objetivo de evitar a hipótese “de que isso esteja sendo usado simplesmente para causar impacto antes das eleições”.

Outro lado

A coligação Plano Progresso para a Bolívia-Convergência Nacional (PPB-CN), de Villa, negou a acusação de tentativa de manipulação eleitoral e acusou o governo de Morales de produzir uma “montagem”. Em entrevista, o porta-voz da coligação, Erick Fajardo, afirmou que Villa “jamais teria atitude semelhante” e chamou Rada, o ministro que divulgou a denúncia, de “um fazedor de truques”.

O porta-voz afirmou que o governo Morales deveria estar preocupado não com a denúncia, mas por ter rompido “uma regra básica do marketing político”, que é “não atacar o segundo quando se está tão acima nas pesquisas”. “Essa estratégia que usa o governo, de gerar esse tipo de montagens, se usa quando se está muito próximo do primeiro. Entendemos que deva ser esse o motivo”, disse.

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