Uma corrida sem vencedor. É isso que se vê todos os dias, especialmente de segunda à sexta-feira, nas ruas de Bauru. Nos horários de pico, carros, motos, ônibus, caminhões e até bicicletas travam uma verdadeira batalha para garantir um espaço na via. Apesar do esforço, eles não conseguem se livrar dos congestionamentos e ainda contribuem para a ocorrência deles. A cada dia que passa mais veículos ganham as ruas da cidade sem que ocorra uma mudança significativa na estrutura viária para dar conta do fluxo cada vez mais intenso.
Foi-se o tempo em que era possível ir de um canto a outro da cidade em, no máximo, 20 minutos de carro. O trânsito ficou carregado e, se continuar crescendo no ritmo atual, pode parar nos próximos cinco anos, caso o poder público não tome medidas eficazes para desafogar o tráfego. Uma dessas medidas poderia ser a construção do anel viário (assunto tratado pelo JC em matérias anteriores), que possibilitaria o deslocamento entre os bairros sem passar pelo Centro da cidade.
Mesmo com as mudanças feitas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), alargando avenidas e proibindo estacionamentos nas vias mais movimentadas, os gargalos ainda continuam. E o pior, estão aumentando.
Se não bastassem os velhos problemas, outros novos têm surgido, como a lentidão que começa na altura da quadra 24 da avenida Getúlio Vargas e segue até o cruzamento com a rua das Festas, que dá acesso à rodovia Marechal Rondon (SP-300), conforme matéria divulgada pelo JC na última quarta-feira.
Outro ponto de lentidão, relativamente novo, formou-se na rua Nicola Maximino e é utilizado pelos motoristas que vêm da Vila Independência em direção ao início da avenida Duque de Caxias. Muitos também têm utilizado aquela rua como rota de fuga da avenida Castelo Branco. No entanto, o fluxo intenso de veículos na rua Vereador Gomes dos Santos, que dá acesso à Duque, dificulta o ingresso na pista dos veículos que estão na rua Nicola Maximino e isso provoca uma fila enorme todas as manhãs.
De acordo com o engenheiro de tráfego Archimedes Raia Júnior, infelizmente, a tendência é que isso continue, ou seja, que novos problemas surjam sem que os velhos sejam solucionados. Na avaliação dele, isso ocorre, basicamente, por três motivos. Primeiro por causa do aumento constante da frota, ainda mais depois da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de carros novos. Segundo porque o investimento em obras viárias é sempre baixo e não consegue acompanhar as necessidades provocadas pelo aumento da frota. Por último, a precariedade do transporte coletivo é apontada como outro responsável pelo inchaço de veículos nas ruas. Como ele não consegue atender as necessidades de deslocamento da maioria da população, as pessoas optam por carros e motos na hora de sair de casa.
O engenheiro Aníbal Ramalho, responsável pelo sistema viário da cidade, também tem uma perspectiva de futuro nada animadora. Ele diz que a frota de veículos tem crescido num ritmo muito forte e o poder público não tem condições de acompanhar esse crescimento. “A tendência é que a lentidão do trânsito fique ainda pior”, prevê o funcionário da Emdurb.