Tribuna do Leitor

desrespeito aos usuários


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Realmente a saúde é um sério problema no Brasil. Quando precisamos de atendimento e recorremos ao serviço público temos: as filas, a falta de médicos e demais profissionais da saúde, falta de materiais, etc. Porém, hoje não venho relatar as mazelas do atendimento público, mas sim a falta de respeito aos usuários conveniados ao plano de saúde Beneplan.

Há pouco mais de um mês aproximadamente eu e minha esposa buscamos atendimento para nossa filha de apenas cinco meses no Hospital Prontocor (atendimento de urgência e emergência 24hs da Beneplan).

Era domingo, perto do horário do almoço, e ao solicitarmos atendimento a recepcionista nos informou que não havia pediatra de plantão, que poderíamos passar por um clínico geral ou aguardar até segunda-feira. Optamos, é claro, por sermos atendidos pelo clínico geral.

Após examinar a criança o clínico pediu para que aguardássemos no corredor, pois entraria em contato com um pediatra para poder receitar os medicamentos necessários. Achamos um tanto quanto absurda a situação, mas seguimos as orientações.

Na ocasião redigi uma reclamação em formulário fornecido pela própria instituição e a depositei em uma urna disposta sobre o balcão da recepção. Urna esta que estava abarrotada de papéis, ou seja, há tempos ninguém lê a opinião dos usuários. Entrei em contato, via telefone, com a ouvidoria da empresa, na pessoa do Senhor Júnior Guedes que disse que o acontecido era um absurdo, que com saúde, principalmente de criança, não se brinca etc, etc, etc.

O mais absurdo estava por vir, pois no domingo (dia 01/11/2009) necessitamos de atendimento para nossa filha novamente e perto do horário do almoço buscamos o Hospital Prontocor da Beneplan e, infelizmente, não foi diferente. Não havia pediatra de plantão, apenas clínico geral. No corredor, seis ou sete crianças aproximadamente ao aguardo de atendimento e sobre o balcão da recepção a urna de sugestões e reclamações com o meu formulário e o de muitos outros usuários, intacta.

As questões que levanto são: será que não existe dinheiro para a contratação de mais um pediatra? Será que não existem profissionais interessados em prestar serviços para o referido plano de saúde? Ou será mais fácil economizar um pouco e com isso lesar e desrespeitar os usuários?

Escrevo na pessoa de pai indignado, mas também de funcionário público municipal conhecedor de seus direitos como cidadão. Onde estão os responsáveis da prefeitura pela contratação de tal serviço? Será que estão fiscalizando a qualidade dos serviços prestados aos servidores? Toda licitação deve levar em consideração, ou pelo menos deveria, o custo e a qualidade do serviço pretendido ou produto a ser comprado. Todos os meses é descontada de minha folha de pagamento, e da maioria dos servidores municipais, que não são poucos, diga-se de passagem, porcentagem referente ao custeio do serviço de plano de saúde.

Além do problema relatado, não é incomum ouvir no meu ambiente de trabalho o descontentamento de muitos, seja pela demora em se conseguir uma consulta, seja pelo cancelamento das mesmas, seja pela falta de opções de especialistas ou pelo descreden-ciamento dos mesmos durante o tratamento. Expresso minha indignação nesse canal democrático com o intuito de alertar as autoridades competentes para que tomem as devidas providências.

José Vitor Fernandes Bertizoli – Professor da Rede Pública Municipal de Bauru

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