Bairros

Buscar orientação especializada é essencial

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Teoricamente praticar exercícios físicos é sinônimo de qualidade de vida, bem-estar e melhora na saúde. Mas, se a atividade for feita sem orientação médica e supervisão de profissionais especializados, os problemas podem aparecer e superar os benefícios.

Com a chegada do verão as pessoas tendem a recorrer à prática de atividades físicas como uma forma de melhorar corpo, mas não basta calçar um tênis, vestir uma roupa de ginástica e ganhar as ruas da cidade. Antes de tudo, é preciso orientação. O cardiologista André Saab indica procurar um médico do coração como primeiro passo.

“É fundamental fazer uma avaliação médica antes e isso vale para qualquer idade. No caso dos jovens, o exame vai detectar doenças existentes desde o nascimento, as chamadas cardiopatias congênitas. Já para as pessoas de meia-idade a avaliação é igualmente necessária e visa excluir a possibilidade de obstrução coronária, problema que leva ao infarto”, explica.

Com a liberação médica, a próxima providência é procurar um profissional na área de educação física. Nesta etapa será definido o melhor tipo de atividade, bem como o ritmo e a freqüência da prática.

“A cada dia, menos se dá para generalizar a prática de atividades físicas. A prescrição deve ser feita de maneira individualizada. O exercício, bem como seu tempo e sua intensidade, devem variar de acordo com o tipo físico, a idade e os objetivos de cada pessoa”, releva Henrique Luiz Monteiro, doutor em ciências do esporte e professor do curso de educação física da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru.

Monteiro aponta que os praticantes que não buscam orientação tendem a incorrer freqüentemente em alguns erros básicos. “O corpo tem uma memória de exercícios. Quando jovens as pessoas conseguem atingir uma determinada freqüência e intensidade. A retomada da prática anos mais tarde pode sugerir o mesmo ritmo, isto é incorreto e traz problemas. Praticar sempre o mesmo exercício também é um erro para quem visa perder peso, uma vez que o corpo se adapta àquela atividade e pára de reagir. Para quem tem este objetivo, o correto é variar a atividade e praticá-la de forma moderada por tempo prolongado”, analisa.

De acordo com Monteiro, cuidados com a vestimenta são tão importantes quanto as dicas anteriores. Roupas leves e tênis de solado macio são ideais para a prática de atividades físicas. “As pessoas devem proteger a cabeça para evitar insolação, sempre usar protetor solar e evitar horários em que o sol está no pico”, ressalta.

Com tudo em ordem, quem opta por suar a camisa praticando atividades físicas só tem a ganhar. “A perda de peso é apenas um ponto positivo, com ela vem a melhora na pressão, no colesterol, na glicemia, além de prevenir doenças cardiovasculares”, enumera Saab.

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Exercícios exigem alimentação balanceada

Uma alimentação balanceada é importante em todas as fases da vida. Quem nunca escutou esta famosa frase, especialmente pronunciada por profissionais da área de nutrição? E, ainda assim, quem nunca ousou desobedecer?

Para os praticantes de atividade física, desconsiderar esta máxima pode ser ainda mais tentador, uma vez que a realização de atividades, muitas vezes, está diretamente relacionada ao conceito de beleza.

Rita Cristina Chaim, mestre em ciências dos alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que pular refeições com a intenção de emagrecer ou trocá-las por suplementos alimentares visando melhorar a aparência física são atitudes comuns entre quem pratica atividades físicas, mas não são, nem de longe, a alternativa correta.

“O corpo precisa de alimento. O ideal é comer um pouco de cada coisa. Quando a pessoa pratica atividades físicas e tem uma alimentação correta, o corpo manda a energia para a parte que requer mais, e não acumula. Quem joga futebol, por exemplo, tem a energia proveniente da alimentação destinada às pernas”, explica.

Chaim ressalta que os cuidados com a alimentação devem ser tomados antes, durante e depois da prática de exercícios. “Nunca praticar atividades físicas em jejum é a primeira regra. Quem faz exercícios logo pela manhã deve se alimentar pelo menos uma hora antes do treino. O ideal é consumir um cereal (trigo e derivados), uma proteína (queijo, iogurte ou coalhada), uma fruta e um líquido”, receita.

Já para quem realiza exercício durante a tarde ou à noite, o recomendado é alimentar-se com duas horas de antecedência. O famoso arroz com feijão, carne, verduras e legumes devem estar presentes no almoço e no jantar.

“Eu sempre indico comer comida. A refeição deve ser leve e em quantidade mediana. Lembrando que o feijão pode ser substituído por outra leguminosa, como o grão de bico ou a lentilha. A carne deve ser magra e de preferência grelhada. E a ingestão de verduras cruas, sob a forma de salada é importantíssimo. São elas que garantem a sensação de saciedade, enquanto são liberadas aos poucos na corrente sangüínea”, detalha.

Repor líquidos é essencial durante a prática de atividades físicas. “O ideal é beber água a cada 20 minutos, isso evita a desidratação. Outra dica é não substituir a água pelo famoso hidrotônico, eles não são tão eficientes quanto”, aponta Chaim. Vinte minutos após o término dos exercícios deve ser feita a reposição alimentar. “É quando os hormônios estão prontos para absorver os alimentos. Pode ser uma fruta, uma vitamina ou um pão integral”, indica.

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Alongar é preciso

Aumento no risco de lesões e diminuição da flexibilidade são algumas das conseqüências de não realizar o alongamento antes e depois de qualquer atividade física. Os minutinhos a mais dedicados ao alongamento, gastos no início e ao final dos exercícios, são essenciais para quem pratica exercícios.

Julio Mizuno, mestrando em ciências da motricidade pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Rio Claro, explica que o alongamento deve ser feito juntamente com o aquecimento, com o objetivo de preparar os músculos e articulações para os movimentos a serem realizados

“Isto aumenta a temperatura corporal, facilitando o deslizamento das fibras musculares, melhorando a performance e a coordenação motora, diminuindo também o risco de lesões. No final da atividade, o alongamento é responsável por reorganizar a musculatura e auxiliar na remoção de metabólicos provenientes do processo de contração muscular”, detalha.

Mizuno ressalta ainda que o alongamento mal feito ou exagerado pode provocar reações contrárias às ideais. “Se for mal realizado antes dos exercícios físicos, pode deixar a pessoa com a sensação de corpo mole e sem força. Ao final dos exercícios, se for realizado de forma intensa, pode ocasionar lesões, pois a musculatura está em fadiga”, destaca.

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