Todos os dias, desde o amanhecer ao anoitecer, é possível observar milhares de bauruenses praticando atividades físicas em diversos pontos da cidade. Com a chegada do verão, este movimento se intensifica, atraindo um número ainda maior de pessoas interessadas em manter a forma e a saúde.
A reportagem percorreu alguns bairros em busca de locais onde ocorre esta prática e percebeu que, independente da infra-estrutura disponível, existe muita gente animada e disposta fazendo atividades físicas.
Um exemplo são os moradores do Núcleo Presidente Geisel. Eles trocaram o bosque do bairro, específico para prática de atividades físicas, pelo improvisado percurso de caminhada criado na avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, próximo à Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O número de pessoas percorrendo a pista plana e extensa da avenida contrasta com o abandono do bosque, onde o mato cresceu e as folhas tomaram o sinuoso percurso destinado às atividades. O péssimo estado dos brinquedos do pequeno parque existente no local é um capítulo à parte.
O mesmo acontece com os moradores do Jardim Bela Vista e adjacências. Sem equipamentos públicos, eles elegeram a avenida Nuno de Assis como espaço para a prática de exercícios físicos. O intenso fluxo de veículos e a presença do rio Bauru não inibem os atletas, que enfrentam as adversidades e ganham as ruas do local todos os dias pela manhã. À medida que as horas passam, a avenida se torna perigosa e as atividades precisam ser interrompidas.
Ainda na Nuno, existem uma pista de skate e duas quadras poliesportivas destinadas ao uso da população, mas, exceto nos finais de semana, raramente é possível encontrar pessoas usufruindo do espaço, que apresenta problemas na conservação, como mato alto e equipamentos gastos.
Já para os moradores do Parque Jaraguá, São Sebastião e Vila Nova Esperança, a academia improvisada fica na avenida Pinheiro Machado. Mesmo com a má condição das calçadas, um grande número de pessoas se exercita no local motivado pelo fato de que este sacrifício pode trazer muitos benefícios.
Zona sul
A zona sul da cidade é o ponto onde é possível encontrar a maior concentração de pessoas se exercitando em busca de melhor qualidade de vida. A infra-estrutura, característica do local, e a quantidade de espaços destinados à prática de exercícios físicos são fatores determinantes para a aglomeração observada.
A avenida Getúlio Vargas ficou famosa dentre os adeptos do esporte por reunir diversas opções para quem desejar se exercitar. O local conta um amplo e extenso calçadão, propício para a realização de caminhadas e corridas. A inexistência de interrupções na via também facilita a vida dos freqüentadores, já que é desnecessário a travessia da rua e a preocupação com veículos automotores.
Recentemente a avenida ganhou duas benfeitorias, que despertaram ainda mais o interesse da população: a inauguração da ciclofaixa e da academia ao ar livre.
A ciclofaixa tem 4,9 quilômetros de extensão e contorna o Aeroclube. O objetivo do espaço, que funciona todos os domingos, das 7h às 12h, é oferecer segurança e estimular a prática do ciclismo. Já a academia ao ar livre conta com 11 aparelhos diferentes que estão à disposição da população. O sucesso da iniciativa foi tamanho que, por volta das 12h, quando o sol está no pico, é possível encontrar gente utilizando o espaço.
Próximo do local, fica o Bosque da Comunidade. A presença de sombra, produzida pela grande quantidade de árvores existentes, permite que a população possa usufruir do lugar durante todo o dia. Em contrapartida, o asfalto apresenta defeitos e exige atenção dos freqüentadores.
É também na zona sul da cidade que fica uma das poucas quadras poliesportivas em condições de uso existentes na cidade. O local, na região da Praça Portugal, é palco de jovens praticantes de basquete, que enxergam o esporte como diversão garantida para dias ensolarados.
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Políticas públicas ainda são insuficientes
A falta de políticas públicas destinadas a incentivar o esporte sempre foi um problema na história de Bauru. Consideradas prioridade pelos administradores da cidade, saúde, educação, transporte, entre outras pastas, sempre abocanharam a maior parte das verbas.
A deficiência no cenário esportivo de Bauru pode ser notada quando os números são analisados: no total, a cidade conta 25 espaços públicos, destinados à prática de atividades físicas. Se toda a população bauruense decidisse freqüentar esses locais, cada espaço precisaria comportar 14.400 pessoas.
“A pasta de esporte é a que recebe menor verba. Claro que isso prejudica o trabalho, mas com criatividade e estabelecendo parcerias estamos tentando reverter este quadro. Fruto disso são a ciclovia e a academia ao ar livre”, analisa José Carlos Batata, secretário municipal do Esportes e Lazer.
Henrique Luiz Monteiro, doutor em ciências do esporte e professor do curso de educação física da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru, aponta que as recentes benfeitorias são um começo, mas ainda assim insuficientes.
“Recentemente a cidade deu passos importantes nesse sentido, mas muita coisa deve ser melhorada. Nota-se, por parte da administração, uma preocupação com as chamadas escolinhas, destinadas a incentivar crianças e jovens a praticar atividades físicas, mas falta investir em orientação nas ruas. A prefeitura deveria colocar profissionais de educação física nas ruas, onde a prática de atividades físicas é freqüente e grande parte da população está presente”, sugere Monteiro.
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Corrida ajuda a pensar melhor
É sob passadas largas e em ritmo intenso que se exercita o jornalista Márcio Miranda, 53 anos. Praticante de corrida há 12 anos, ele associa o esporte a uma forma bastante peculiar de organizar a vida pessoal.
“Gosto de correr sozinho, assim posso refletir sobre as coisas que acontecem em minha vida, o que está pendente e a melhor forma de solucionar os problemas. A corrida também me proporciona prazer, tudo fica mais gostoso: o banho, o sono e alimentação melhoram e, conseqüentemente, a saúde também”, explica.
E, foi por conta das boas sensações proporcionadas pela corrida que Miranda contrariou orientações médicas e acabou tendo problemas naquilo que deveria ser beneficiado: a saúde.
“É preciso tomar cuidado porque o esporte é viciante. Comecei com 1 km e cheguei a percorrer 12 km, até que quebrei o pé e tive de interromper as atividades. Quando procurei um médico, ele me disse que tive uma fratura por estresse. Qualquer coisa em excesso é prejudicial. Fiquei parado por dois anos e voltei a praticar há cerca de um mês”, conta.