Brasília - Abalado após o vazamento da prova que seria aplicada em outubro, o Enem realizado neste fim de semana registrou uma abstenção recorde. Dos 4,1 milhões de candidatos que se inscreveram, 39,5% faltaram.
Os números de ontem, já fechados, mostraram 37,7% de abstenção. Dados preliminares indicam que 2,9% das pessoas que prestaram a prova no sábado não compareceram hoje. Com isso, o índice conjunto, que fica em 39,5%, foi o maior de todas as edições do exame, aplicado desde 1998.
Em 2008, o percentual foi de 27,3%. Mesmo em números absolutos, o total de participantes caiu em relação a 2008, de 2,9 milhões para 2,6 milhões.
Neste ano, a prova, que seria realizada em 3 e 4 de outubro, foi adiada após a descoberta de que havia vazado. Com isso, diversas universidades desistiram de considerar a nota nos seus vestibulares. Foi o caso de USP, Unicamp e PUC-SP.
Não por acaso, o Estado de São Paulo registrou o maior índice de faltosos, de 46,9%. O alto percentual pode ter impacto sobre as médias das escolas do Estado, mas o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, disse que é preciso saber se os faltosos eram na sua maioria do ensino médio ou já formados.
Ele atribuiu o alto índice de abstenção em São Paulo à desistência de muitas instituições e, em nível nacional, à distância entre a prova e o período de inscrição, que terminou em julho.
Para os cursinhos, a alta abstenção foi causada também por problemas logísticos, com locais da prova distantes e diferentes dos previstos no início.
Mais fácil
Professores dos cursinhos Henfil, Anglo e Etapa concordaram que a prova de hoje estava mais fácil que a de sábado e mais parecida com a que vazou. A principal queixa foi novamente o tamanho das questões. O presidente do Inep rebateu: "Provas contextualizadas precisam de um enunciado maior''.
Na de matemática foram exigidas noções básicas, mas a quantidade de contas era muito grande, segundo os cursinhos.
O barulho no vizinho o Maracanã e a vontade de ver a última rodada do Campeonato Brasileiro atrapalharam boa parte dos candidatos no campus da Uerj, na Tijuca (zona norte). "Ouvíamos as pessoas cantando e os fogos, uma barulhada'', disse Bianca de Oliveira, 20.
Em São Paulo, a entrada foi mais tranquila que ontem. Apesar disso, ocorreram atrasos e um pouco de confusão.
Na Uninove Vila Maria (zona norte), os portões foram fechados antes do previsto, segundo Bruno Araújo de Oliveira, 19. Ele conta que houve discussão entre estudantes e seguranças, e a polícia foi chamada.