A programação do simpósio foi aberta com palestra de Paul Hebert, da Universidade de Guelph, no Canadá. Herbert, que propôs, em 2003, a técnica do DNA barcoding, é diretor científico do Projeto Internacional do Código de Barras da Vida (iBOL, na sigla em inglês), que será lançado em julho de 2010, com sede no Canadá.
Segundo ele, a nova técnica terá impacto sem precedentes no conhecimento sobre a biodiversidade. “Mesmo com 250 anos de grandes esforços científicos, muitas espécies ainda permanecem desconhecidas. Essas barreiras à análise da biodiversidade vão ser quebradas com o DNA barcoding”, disse.
Pesquisadores de 25 países estão participando da iniciativa, que deverá compilar, em códigos de barras de DNA, cerca de 5 milhões de amostras de 500 mil espécies nos próximos cinco anos.
“Desde 2005, estamos compilando cerca de meio milhão de amostras a cada dois anos. Mas o trabalho está apenas começando. No futuro esperamos ter sistemas automatizados que apoiem as identificações de grandes números de espécies”, disse.
De acordo com Herbert, o DNA barcoding apresenta várias vantagens em relação aos métodos morfológicos tradicionais de taxonomia. “O processo de identificação pode ser todo automatizado e podemos aplicá-lo em qualquer momento do ciclo de vida do organismo, ou a um fragmento dele”, afirmou.
Além de melhorar a capacidade de monitorar e entender a biodiversidade, com diversas aplicações, a técnica, segundo ele, trará grandes benefícios científicos. “Vamos começar a entrar em problemas evolucionários e ecológicos interessantes”, disse.
John Kress, do Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos, apresentou estudos sobre um dos principais problemas da nova técnica: a aplicação do DNA barcoding à identificação de plantas. Segundo ele, o gene COX1, de onde é extraído o trecho de DNA utilizado como marcador de maior sucesso até agora, é demasiadamente uniforme nas plantas, o que impede a identificação das espécies.
“Nas plantas, esse gene não tem um nível de variação suficiente para ser utilizado como marcador. Então precisamos começar um processo de prospecção de outras regiões dos genes para desenvolver marcadores específicos. São muitas opções. Precisaremos mobilizar a comunidade de botânicos em torno de um consenso”, disse.