Internacional

Morales é reeleito no primeiro turno, indicam bocas-de-urna

Folhapress
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La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi reeleito em primeiro turno com mais de 60% dos votos, contra cerca de 24% do segundo colocado, Manfred Reyes Villa, segundo levantamentos de boca-de-urna divulgados no início da noite de ontem.

A vitória de Morales cimentará seu domínio na política boliviana e enfraquecerá ainda mais a dividida oposição conservadora ligada à elite empresarial do país.

Líder do Movimento Esquerdista Boliviano Cocalero, Morales, de 50 anos, ganhou notoriedade internacional ao vencer as eleições, em primeiro turno, para presidente em 2005.

Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, nacionalizou setores importantes da economia em seu primeiro mandato, como os setores de hidrocarbonetos, energia e mineração, o que gerou uma avalanche de renda para os cofres públicos que Morales usou para reforçar programas sociais.

Os pagamentos em dinheiro que beneficiaram grupos como estudantes primários e aposentados aumentaram sua popularidade entre a maioria indígena desvalida, que comemorou quatro anos atrás a derrota dos partidos tradicionais há longo tempo no poder.

“Há dois caminhos: continuar com a mudança ou voltar ao passado”, disse Morales a dezenas de milhares de apoiadores em seu último comício.

Ex-criador de lhamas e ex-líder cocaleiro que cresceu na pobreza extrema, Morales enfrenta dois rivais conservadores: Manfred Reyes Villa, ex-governador e capitão da Marinha, e o magnata do cimento Samuel Doria Medina.

Morales se apresentou como o único candidato capaz de trazer prosperidade aos pobres, e muitos bolivianos vivendo em áreas rurais se identificam com suas origens humildes.

Ele teve sucesso em impulsionar uma constituinte no início deste ano que lhe permitiu buscar uma reeleição até então proibida, na esteira de outros líderes sul-americanos que fizeram o mesmo.

Morales promete mergulhar a mão do governo mais fundo na economia rica em gás e minérios para redistribuir a riqueza no país mais pobre da América do Sul.

A economia boliviana deve crescer cerca de 2,8% este ano, a maior taxa da América Latina, de acordo com o FMI.

Os opositores de Morales mantêm a crítica de que sua política de maior controle estatal sobre a economia afugenta o muito necessário investimento estrangeiro.

Suas repetidas promessas de aumentar a produção de gás natural, o principal produto de exportação do país, não se materializaram por causa da falta de investimento nesse setor.

Morales, um admirador assumido do líder cubano Fidel Castro, é um crítico feroz dos EUA, que ele chama de “império” em discursos incendiários contra o capitalismo.

Apesar de chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “amigo”, Morales não poupou o Brasil de suas ações. Em março de 2006, o boliviano anunciou a estatização de duas refinarias da Petrobras em seu território e impôs aumento no preço do gás comprado pelo Brasil. A iniciativa gerou controvérsias e prejuízos.

Recentemente, em setembro, Lula foi presenteado por Morales com um agasalho típico dos indígenas bolivianos - feito com lã colorida - e usou a peça durante um evento na cidade de Chimoré (interior da Bolívia). O boliviano, porém, não esconde que suas referências políticas são o ex-presidente de Cuba Fidel Castro e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

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