Tribuna do Leitor

A quem serve o Patrimônio Cultural


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Todo grupo humano ou sociedade no seu caminhar histórico institui lugares e espaços para lhe servir de suporte e sobrevivência, ali constroem diferentes significados simbólicos que expressam o que chamamos de identidade cultural. O Patrimônio é o símbolo do presente que direciona os caminhos pessoais e coletivos para o contato com o passado, desenvolvendo a compreensão de si próprio e de sua sociedade. Quando o Patrimônio material ou imaterial não é protegidos, é toda a sociedade que sofre com a perda de sua identidade.

 O Tombamento é o mecanismo utilizado por sociedades, com determinada evolução, para instituir seus lugares e seus significados, por meio da sociedade civil aliada ao poder público.  No Brasil não é raro observamos o hábito da construção pela destruição, ou seja, para “modernizar” destrói-se o existente. Nesta situação, quando se trata de um Patrimônio assimilado pela população, o sentido simbólico do bem permanece, a ele se agrega a realidade da perda, o que faz provocar novas resignificações da identidade local.

 As cidades mais singulares, por sua arquitetura ou por sua cultura imaterial, têm se tornado mais atraentes, valorizadas e apreciadas. As políticas de preservação, aliadas ao crescimento responsável e sustentável tem proporcionado às pessoas que vivem nestas cidades a constante reconstrução de sua identidade sem perder sua essência e suas referências originárias. Para tanto se torna vital saber a quem o Patrimônio deve servir? Que cidade se quer construir? A qual capital o Patrimônio esta associado?

 Um bom exemplo é a nossa Praça Rui Barbosa de Bauru, que foi totalmente “modernizada” no início da década de 90. De um espaço de lazer altamente apropriado pelos bauruenses, transformou-se em um vazio marginal, mesmo diante das diversas tentativas de reocupação e uso por parte dos órgãos públicos. Noites musicais animadas pelas bandas no coreto, passeios em família, aroma exalado pelo tradicional carrinho de pipoca, frescor do ambiente provocado pelas frondosas árvores, lagos e fontes. Agora estes sentidos permanecem somente na memória de quem viveu e o Patrimônio sem a devida preocupação preservacionista se foi. Um novo ressurge, à espera de uma nova apropriação e novos significados, porém os caminhos do passado perderam os sentidos. Preservar o Patrimônio é saber quem somos e não mero saudosismo.

Sérgio Losnak - geógrafo cultural e presidente do Codepac

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