Bairros

Alerta: preserve o patrimônio histórico

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 2 min

A identidade cultural de uma população se faz, também, por meio da preservação do patrimônio histórico. O geógrafo cultural Sérgio Losnak, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) de Bauru, afirma que quando o patrimônio material ou imaterial não é protegido, a sociedade é quem sofre com a perda de sua identidade. Na cidade, ele cita como exemplo o processo de “modernização” da Praça Rui Barbosa, que ocorreu na década de 1990. Com as mudanças, o local passou “de um espaço de lazer freqüentado por famílias para um vazio marginal, mesmo diante das diversas tentativas de reocupação e uso por parte dos órgãos públicos”.

Definido como um conjunto de bens móveis e imóveis existentes no País, que tenham em sua conservação um interesse público, seja por fatores memoráveis da história ou por valor arqueológico, arquitetônico, etnográfico, bibliográfico ou artístico, o patrimônio histórico registra acontecimentos e fases da história de uma cidade. “O patrimônio é o símbolo do presente que direciona os caminhos pessoais e coletivos para o contato com o passado, desenvolvendo a compreensão de si próprio e de sua sociedade”, explica.

Segundo Losnak, a sociedade no caminhar histórico institui lugares para lhe servir de suporte e sobrevivência, e constróem diferentes significados simbólicos que expressam o que é chamado de identidade cultural. Com o passar do tempo, esses espaços precisam ser modernizados. “Mas esse processo deve ser feito sem interromper o processo de caminhada da sociedade. As mudanças devem ser feitas de forma que não haja descaracterização do local”, revela.

Há cerca de 30 anos, a Praça Rui Barbosa era palco de noites musicais animadas por bandas no coreto e passeios em família com o aroma exalado pelo carrinho de pipoca. “Agora, estes sentimentos permanecem somente na memória de quem viveu o patrimônio. É preciso entender que preservar o patrimônio é saber quem somos, e não mero saudosismo. Tínhamos uma praça, que se tivesse sido mantida, seria uma das mais belas do Interior paulista.”

“É claro que não dá mais para colocar um jacaré como nós tínhamos. Mas era um local interessante que estava de acordo com a realidade dos bauruenses. Estamos em uma cidade quente e o espaço abrigava várias árvores e folhagens, além da água. Remetia à cultura interiorana”, complementa.

No processo de “modernização” da praça, por exemplo, foi retirado o que havia no local para a construção de um espaço, totalmente diferente, explica Losnak. “O espaço passou por uma grande modificação que a população não absorveu. Outras pessoas se apropriaram do local e passaram a construir outros sentidos para esse local, diferente de décadas atrás”.

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