Política

Lentidão e chuva param pavimentação

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 4 min

Todas as obras de pavimentação asfáltica realizadas tanto pelas duas empreiteiras contratadas pela Prefeitura de Bauru quanto pela Secretaria Municipal de Obras estão paralisadas devido às chuvas dos últimos dias. O mau tempo também tem atrapalhado a recuperação de ponto da avenida Moussa Tobias, a construção da avenida Nações Norte e a duplicação da avenida Comendador José da Silva Marta. Entretanto, apesar da inegável e esperada influência negativa do mau tempo sobre o andamento das obras, o governo municipal já tinha conhecimento da tradicional chegada da “temporada das águas“ neste final de ano, e, mesmo assim, não foi ágil para executar os procedimentos.

No Legislativo, as críticas mais ácidas do vereadores apontam para a falta de planejamento e de critérios do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) na definição das ações de seu governo. Embora com recursos no caixa desde 1º de janeiro de 2009, o governo não conseguiu abrir a licitação das 161 quadras que já tinham sido preparadas ainda no governo Tuga Angerami (dos corredores do transporte coletivo) e também não resolveu gargalos na máquina, como dotar rapidamente a Secretaria de Planejamento (Seplan) de profissionais para aumentar a capacidade de elaboração e avaliação de projetos, dando suporte às futuras licitações.

Agora, o argumento em direção ao mau tempo é “chover no molhado”. Os prejuízos financeiros ainda não foram calculados, mas uma coisa é certa: o cronograma de entrega dos empreendimentos será comprometido. “A gente tem medo de atrasar as obras em andamento. Além disso, têm bairros que estão numa situação extremamente precária, como o Jardim Silvestre, Tangarás, Parque Viaduto. É difícil você conduzir obra de pavimentação com chuva. É um período difícil. A chuva pode parar amanhã ou pode chover o mês inteiro e não sair um metro de asfalto”, afirma o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

No início de sua gestão, em março deste ano, o chefe do Executivo anunciou a primeira fase do plano de pavimentação do governo, com promessa de acabar com 500 quadras de terra e recapear 300 ruas com asfalto vencido. Há poucas semanas de encerrar seu primeiro ano, a administração municipal não conseguiu executar nem uma pequena fatia da meta e, agora, a precipitação que não dá trégua colabora ainda mais para piorar o desempenho. Até o momento, das 161 quadras de asfalto licitadas em 22 bairros de Bauru, 25 foram executadas na Pousada da Esperança.

Atualmente, o serviço está sendo feito no Parque Sergipe. Entretanto, as obras foram paralisadas. Depois de terminado o asfalto neste bairro, os funcionários da empresa H. Aidar Pavimentação e Obras Ltda seguirão para o Parque Roosevelt. A empreiteira que venceu a licitação irá executar 32.200 metros de guias e sarjetas e 128.800 metros quadrados de pavimentação asfáltica com base de brita graduada. O valor do contrato é de R$ 4.749.500,00 e a empresa tem prazo de 18 meses para terminar o serviço.

Não decolou

As quadras incluídas no Plano Comunitário de Melhorias (PCM) também estão comprometidas. “As quadras de asfalto estão todas paradas, não conseguimos fazer nada, inclusive o PCM no Parque Paulista. A empreiteira só conseguiu fazer alinhamento, mas não consegue nem colocar guia. Se parar a chuva, ainda terá que esperar pelo menos uns dois dias para secar o solo. O que a gente continua fazendo é algum serviço de tapa-buraco”, diz o secretário de Obras, Eliseu Areco.

A ressalva fica para o esforço de Areco Neto na tentativa de antecipar o início das obras, ao longo deste ano. Sem maquinário e sem pessoal de suporte na própria pasta e secretarias técnicas que têm interfase com os serviços (como a Seplan), o engenheiro se viu “ilhado” na busca de execução do cronograma.

Das 125 quadras que integram o PCM, seis processos estão em andamento, dos quais dois estão com ordem de serviço liberada e outros dois já encaminhados para empenho (autorização de despesa) e posterior liberação da ordem de serviço. A empresa Fortpav Pavimentação e Serviços Ltda, de Pederneiras, foi a vencedora do processo licitatório.

Bauru possui 11 mil quadras pavimentadas, sendo 8 mil delas com asfalto vencido há mais de 15 anos. A cidade ainda tem 3.500 ruas de terra, onde é preciso implantar 33 quilômetros de galerias de águas pluviais, sendo que em cinco quilômetros são considerados prioritários para a pavimentação ainda neste ano. O município ainda conta com 350 quilômetros de estradas vicinais.

Para firmar posição política contra a demora na execução do plano de asfalto do governo municipal, vereadores aprovaram anteontem emenda que retira R$ 3 milhões do serviço da coleta de lixo e destinação de resíduos para injetar na pavimentação asfáltica de Bauru, no Orçamento 2010. Os parlamentares querem uma garantia de que haverá investimento no setor. Para o próximo ano, estão previstos investimentos de cerca de R$ 8 milhões em asfalto. Com a emenda aprovada, a cifra sobe para R$ 11 milhões, incluindo serviços como guia e sarjeta.

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