Bauru, que atualmente é abastecida 40% pelo rio Batalha e 60% por poços profundos do Aqüífero Guarani, vai contratar logo no início de 2010 uma empresa para estudar o potencial do Ribeirão Água Parada ser um novo manancial para atender a cidade. Um estudo divulgado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que Bauru precisa, até 2105, de uma nova fonte para retirar água porque o rio Batalha está no limite. O Departamento de Água e Esgoto (DAE), que garante que os dados usados no estudo estão defasados, informa que a cidade precisa sim viabilizar uma terceira fonte de abastecimento, mas porque é o aqüífero que não comporta mais novos poços.
O assessor de Gabinete do DAE e presidente do Fórum Pró-Batalha, Ivan de Marche, explica que nos últimos anos o rio Batalha tem mantido seu nível de água estável, inclusive em períodos de seca, o que tem evitado falta de água na cidade. No início desta década Bauru chegou a implantar rodízio de abastecimento em época de estiagem porque o Batalha estava secando. Nos últimos anos, após a ampliação da lagoa de captação e talvez já resultado da revegetação das margens, a cidade não mais correu risco de ficar sem água daquele rio.
“Mas, como estudos técnicos feitos nos últimos anos têm mostrado, estamos no limite de poços profundos”, explica Ivan, ressaltando que por este motivo continua prioridade para o DAE viabilizar uma nova fonte de abastecimento para a cidade. Atualmente, o DAE tem 28 poços em operação e outros quatro aposentados por não terem mais vazão suficiente para exploração. Já há anos o DAE acompanha o comportamento do Ribeirão Água Parada, cujo ponto mais próximo de Bauru, onde poderá ser feita a captação, é nas proximidades do Distrito Industrial 3.
Mas para investir dinheiro na construção de novas estações de captação e tratamento de água é preciso ter certeza que é viável explorá-lo. Neste sentido, o DAE solicitou ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) verba para contratar uma empresa para analisar se o rio tem água em quantidade e qualidade que a cidade precisa. Ainda neste mês, de acordo com Ivan, a autarquia assinará convênio com o Fehidro para receber R$ 105 mil e colocará mais R$ 26 mil de contrapartida para licitar o serviço orçado em quase R$ 150 mil.
“E, coincidentemente, o Água Parada fica nas proximidades da zona norte de Bauru, região que, de acordo com o Plano Diretor, deve crescer mais nos próximos anos e, conseqüentemente, precisará de mais água”, observa o assessor de Gabinete do DAE. Se ficar constatado que é viável explorar o ribeirão, o DAE deve viabilizar a construção das estações de captação e tratamento em médio prazo.
O problema é que a obra é considera cara. Atualmente está orçada em cerca de R$ 12 milhões, de acordo com Ivan. “Mas a cidade terá mesmo que achar nova fonte. E a lei da cobrança da água retirada das fontes, que em Bauru deve entrar em vigor entre 2011 e 2012, incentiva a utilização de mananciais superficiais”, completa.
Quando a cobrança, que está entrando em vigor gradualmente, por bacia hidrográfica, começar em Bauru a água na torneira do consumidor vai ficar mais cara.
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Municípios precisam investir
Dos 2.965 municípios pesquisados pela Agência Nacional de Águas (ANA) para montar o estudo sobre o abastecimento no País, 64% – ou 1.896 – precisam investir, até 2015, R$ 18,2 bilhões. Só assim a oferta de água estará garantida até 2025. O alerta foi feito ontem pelo presidente da ANA, José Machado. “Desses 18,2 bilhões, que atingem diretamente uma população de 100 milhões de habitantes, R$ 15,7 teriam como destino o investimento em mananciais e sistemas de produção de 752 municípios com mais de 50 mil habitantes, e R$ 2,5 bilhões, de 1.144 municípios com até 50 mil habitantes”, informou Machado.
Segundo ele, os maiores problemas apontados pelo estudo foram identificados nas regiões metropolitanas, com 286 dos 430 municípios apresentando problemas. “Isso representa 66% dos municípios pesquisados, e um total de R$ 12 bilhões a serem investidos”.
“É nas regiões metropolitanas que encontramos a maior concentração populacional e o esgotamento dos recursos hídricos. Já os municípios pequenos carecem de respaldo institucional e técnico”, disse Machado. “As decisões precisam ser tomadas com rapidez, para que haja esforço concentrado, porque a situação é emergencial em muitas dessas localidades”, acrescentou.
“Há municípios que sequer têm projetos, apesar de haver necessidade imediata de tomada de decisão. E esse atlas é uma ferramenta de ajuda aos governantes justamente para isso”, argumentou o dirigente da ANA. As informações sobre a situação de todos os 2.965 municípios pesquisados pela ANA estão disponíveis no portal da agência (www.ana. gov.br/atlas).
É preciso selecionar a unidade federativa desejada e, em seguida, o município de interesse para saber a situação atual do abastecimento de água e se há medida necessária a ser tomada até 2015.