Bairros

CPFL quer fim de ‘gatos’ na periferia

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

A CPFL Paulista assinou convênio com a Prefeitura de Bauru, ontem à noite, que pode se converter no primeiro passo para a eliminação por completo dos “gatos” na cidade. Antes que alguma entidade de proteção aos animais fique tomada de indignação diante de um iminente massacre de bichanos no município, cabe lembrar que “gato” é forma como popularmente são conhecidas as ligações clandestinas de energia elétrica.

Pelo menos 1.000 residências, em 13 bairros de periferia - entre eles, Ferradura Mirim, Jardim Nicéia, Parque Real e Jardim Ivone -, terão suas instalações regularizadas pela empresa. Outras 1.500 moradias passarão por manutenção em seus padrões de entrada de energia.

O cadastramento das famílias que serão atendidas pelo programa, denominado Rede Comunidade, deverá começar mês que vem. Depois de terem sua situação regularizada, essas pessoas ganharão da concessionária um período de seis meses de carência na tarifa, para que possam adequar seu consumo de energia à renda mensal de que dispõem.

A CPFL efetuará a troca de cerca de 500 geladeiras antigas (que apresentam alto consumo de eletricidade) dessas famílias por modelos que gastam em torno de 23 kwh/mês. Os eletrodomésticos velhos serão recolhidos e encaminhados para a reciclagem.

A empresa pretende ainda substituir os chuveiros em aproximadamente 500 residências. No lugar, será colocado um modelo dotado de sistema de recuperação de calor, que utiliza a própria água quente do banho para pré-aquecer a água encanada.

No total, serão investidos R$ 4,016 milhões no projeto. A CPFL deverá trocar 6.000 lâmpadas incandescentes por luzes fluorescentes, que gastam menos energia. Na opinião do vice-presidente de distribuição, Hélio Viana, a concessionária será favorecida (financeiramente, inclusive) na medida em que as pessoas contempladas pelo programa passarem a economizar eletricidade.

“É muito caro produzir energia, nos dias de hoje. Compensa mais usar racionalmente esse recurso”, afirmou à reportagem, ontem à noite, minutos antes do início da solenidade de assinatura do convênio. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) também compareceu à cerimônia, acompanhado dos secretários Eliseu Areco, de Obras, Darlene Tendolo, do Bem-Estar Social, e Maria José Jandreice, a Majô, da Educação. O coordenador da Defesa Civil Municipal, Álvaro de Brito, também participou do evento.

Enfim, paz

Ontem, por sinal, os integrantes da administração municipal se mostravam efusivos diante do convênio que seria firmado e não poupavam elogios à distribuidora de energia. Talvez estivessem contagiados pelo espírito da época - afinal, estamos no Natal, tempo de amor, paz e luzes multicoloridas.

A verdade é que, até algum tempo atrás, o relacionamento entre o Município e a concessionária era bastante conturbado, devido a uma dívida milionária herdada pelo ex-prefeito Tuga Angerami (sem partido) de seus antecessores.

A dívida, referente ao serviço de iluminação pública, foi renegociada no ano retrasado e terá de ser paga até 2015. Pelas palavras do chefe do Executivo, as mágoas antigas ficaram para trás. Rodrigo disse ao Jornal da Cidade que, “atualmente, a CPFL é uma das grandes parceiras da prefeitura”.

“Tivemos um início de ano complicado, em que solicitamos à CPFL um plano de iluminação para o município. Pouco depois, fomos desafiados pelo vereador (José Roberto) Segalla (DEM) a fazer uma discussão ampla sobre o assunto (a questão quase culminou na instalação de uma CPI na Câmara). Resolvemos, então, procurar a concessionária para conversar. Mostramos que estamos pagando em dia nossas contas e pedimos uma contrapartida para cidade”, explicou Rodrigo.

Durante a entrevista ao Jornal da Cidade, o prefeito aproveitou para alfinetar a oposição na Câmara (formada pelo PSDB, o PPS e o DEM), por ameaçar barrar o projeto que visa reajustar a Contribuição para Custeio de Iluminação Pública (CIP). “Para a maioria dos contribuintes, o aumento seria de R$ 1,00, o que nos permitiria fazer mais investimentos nesta área, ao redor da cidade.”

Além do programa, a CPFL doará para o Departamento de Água e Esgoto (DAE) um reservatório avaliado em R$ 2 milhões, que permitirá à autarquia bombear água fora dos horários de pico de energia. A prefeitura ainda negocia com a concessionária a possibilidade de ampliação do Rede Comunidade. Se a proposta for aceita, mais 200 famílias, do Núcleo Bauru H,seriam atendidas.

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Inclusão social

Na opinião da secretária municipal de Bem-Estar Social, Darlene Tendolo, o programa Rede Comunidade, da CPFL Paulista, ajudará a potencializar as famílias carentes do município. “Poderemos trabalhar questão ligadas à cidadania juntamente com o uso consciente da eletricidade”, acredita.

Para o coordenador da Defesa Civil municipal, Álvaro de Brito, a regularização das instalações elétricas ajudará a levar mais segurança aos bairros carentes. “Boa parte dos incêndios em barracos é causada por curtos-circuitos”, lembra.

O primeiro-sargento Valdeci Américo Pereira, do Corpo de Bombeiros, tem opinião parecida. “A eliminação dos gatos ajudará a tornar mais seguras as áreas menos favorecidas da cidade”, disse.

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