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Quem vai frear esta maré do mal?

David Eme
| Tempo de leitura: 3 min

Diante do desabafo que parece sincero, é preciso que o pastor em questão (Gilson Souto Maior Jr., opinião de ontem) seja apoiado em sua indignação indignada. Por isso, mesmo não gostando de perder tempo com políticos que tanto denigrem e enxovalham a política. Porém, estamos diante de um descalabro impensável. Então, vou falar e perguntar. O que fazer quando o presidente da República chama senadores de pizzaiolos, faz graça com a corrupção e incinera a ética no forno do pragmatismo e da suposta governabilidade? O que fazer quando políticos se lixam para a opinião pública? E os religiosos que perderam totalmente o equilíbrio e sensatez e roubam descaradamente? Só há um caminho: informação livre e independente. Não se constrói um grande país com mentiras, casuísmos e espertezas. Edifica-se uma grande nação, sim, com o respeito à lei e à ética tanto na sociedade como na religião. Pode-se afirmar que existe uma contradição entre as efetivas relações dentro da sociedade, a religião e a verdade e o ideal. Prega-se uma coisa e faz-se outra coisa. Hoje, mais do que nunca, estamos vivenciando a maré do mal! A corrupção impera soberanamente. Desonestidade de toda sorte está representada entre os que administram as leis e, pior, o próprio País. E, pior ainda: os \”representantes\” de Deus. Os mais vis criminosos tornaram-se recebedores de atenção, como se houvessem alcançado invejável distinção. Dá-se grande e abrangente publicidade a seus crimes. Querem mais provas dos crimes cometidos do que a preocupação dos criminosos em recorrer à Justiça - que lhes dá guarida! - para evitar que sejam presos, através de habeas-corpus preventivos?! Ilegalidade e corrupção nos assoberbam qual maré esmagadora. As comportas do lamaçal político e religioso foram abertas e jorra a lama avassaladora sobre o povo e as instituições de bem. As do mal já nascem viciadas. Sem novida des. Os tribunais estão corrompidos e os governantes são movidos pelo desejo de ganho e amor aos prazeres sensuais e a intemperança obscureceu a todos os que comandam. Segundo Platão, sentimentos estes são pertencentes ao baixo-ventre do corpo humano. E, como os políticos e pastores corruptos não controlam seus desejos, não podem exercitar a temperança e nem ser íntegros. A chamada mídia, apesar do seu trabalho investigativo, às vezes, e esclarecedor, sempre, demonstra-se insaciável e cruel na conduta de vários profissionais. Não mede esforços e recorre a quaisquer meios para realizar seus objetivos nem sempre claros e definidos. Lideres de toda ordem abrem as portas da incredulidade e desprezo às leis e impera a lei do mais forte sob a cantilena de estarem defendendo o que é seu. É muito triste verificar que pessoas adultas que deveriam ser sérias, ou pior, que se apresentam como sérias e honestas, não tenham o mínimo de caráter nem vergonha na cara. O que eles dizem e preg am - obviamente sempre o contrário do que fazem -, não vale um pum, como diria meu avô, homem acostumado a honrar seus compromissos selados com um fio de bigode. Não dá para ficar boquiaberto, nem pasmo, diante de tanta corrupção. Ela sempre existiu. E os corruptos também procriam, sem contar novos adeptos. É por isso que dá a impressão de que a corrupção aumentou. Na verdade, ela aumentou na proporção em que a população, em geral, cresceu como um todo. Esse \”novo\” episódio político envolvendo um \”zé\” que não é nenhum \”mané\”, está com desvio de foco, pois o certo seria divulgar a realidade do que ocorreu e não encobrir o que deveria ser esclarecido no tocante à própria sujeira. E assim as coisas continuam desde os tempos filosóficos da Grécia... Antiga?! A cada nova maré do mal a mente do povo se tornará mais entenebrecida e seu coração mais endurecido. Continuarão a calcar a pés a própria dignidade. E então, o que pode e deve ser feito para frear a maré do mal? Será que alguém quer mesmo realmente saber?

O autor, David Eme, é escritor em Bauru

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