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Maioria tem ‘farmacinha’ em casa

Adilson Camargo com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Qual família não tem uma gaveta ou uma caixa, por menor que seja, com alguns medicamentos guardados dentro dela? Seja algum remédio de uso diário para algum tratamento específico indicado pelo médico ou para uma simples dor de cabeça, gripe, dor de estômago ou má digestão. Eles estão presentes em quase todos os lares. Você sabe, numa emergência, às vezes, não dá tempo de procurar uma farmácia.

“É mais fácil e rápido”, justifica a cabeleireira Bárbara Corrêa, 21 anos. Pelo menos duas vezes por semana, ela recorre à tal caixinha. Se não é por causa de uma dor de cabeça é para melhorar a digestão. “No médico, demora muito. Eu não tenho tempo para ficar esperando ser atendida”, diz.

Dependendo do que está sentindo, ela fala que já sabe qual remédio faz efeito e vai buscá-lo na “farmacinha” doméstica.

Já a dona de casa Diva Nascimento Flores, 47 anos, tem uma farmácia em casa e outra que fica na bolsa. Remédios para dor de cabeça e asia não podem faltar. São companheiros inseparáveis. Onde quer que ela vá, eles vão junto.

Questionado pela reportagem se foi algum médico que receitou o remédio contra asia, a dona de casa foi direta. “O médico indicou para meu marido. Como foi bom para ele, eu também comecei a tomar. Se isso vai me fazer mal no futuro, não sei. Mas está resolvendo meu problema.”

Diva diz que vai ao médico somente quando sente algo mais sério. Ela também reclama da demora. “A gente fica o dia inteiro esperando para ser atendido. Às vezes, volta para casa sem conseguir”, reclama. Resultado: toma remédio por conta para passar a dor.

Com um filho que sofre de bronquite asmática uma filha e neta que têm rinite alérgica, a farmácia doméstica está sempre cheia. “Temos que ter esses remédios em casa. No caso de uma crise, não dá tempo para procurar um médico ou chegar ao hospital”, alega Diva.

A vendedora Tatiane de Carvalho Camargo é outra que sempre recorre à caixinha de remédios que mantém em casa. Vira e mexe, ela tem uma dor de cabeça. Principalmente, por ter sinusite. Basta dormir com o cabelo molhado que no outro dia a cabeça dói. Ou se tomar um vento mais forte no rosto, os olhos começam a doer e, em seguida, a cabeça. E dá-lhe remédio. “Eu sei que não é certo, mas tomo remédio por conta, sem indicação médica”, admite. Tatiane também aponta a falta de tempo como motivo principal para não procurar um médico em busca de tratamento com medicamentos adequados.

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Farmácia popular oferece medicamentos mais baratos

O programa Farmácia Popular do Brasil foi criado em 2004 para ampliar o acesso aos medicamentos essenciais. Por meio das unidades próprias, esses produtos são dispensados a preço de custo ao cidadão. No elenco da Farmácia Popular constam 107 itens para as doenças mais comuns na população brasileira. Dentre eles, analgésicos, anti-hipertensivos, medicamentos para diabetes, colesterol e gastrite, entre outros. Atualmente, no País já são 521 unidades próprias em 405 municípios, que fazem uma média de 950 mil atendimentos por mês. Todas são implantadas por meio de uma parceria do Ministério da Saúde e da Fiocruz com Estados e Municípios e instituições filantrópicas.

Até o ano passado, os investimentos no programa foram de R$ 325 milhões, segundo o governo federal. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão do Ministério da Saúde e executora do programa, adquire os medicamentos de laboratórios farmacêuticos oficiais públicos ou do setor privado, quando necessário. Os medicamentos produzidos por laboratórios privados são comprados em pregões realizados pela fundação.

O programa conta também com o “Aqui tem Farmácia Popular”, fruto de uma parceria com farmácias da rede privada para oferecer três tipos de medicamentos: diabetes, hipertensão e anticoncepcionais. Nesse caso, os medicamentos são fornecidos por laboratórios privados. Criada em 2006, esta modalidade também chamada de co-pagamento, oferece medicamentos subsidiados em até 90% pelo governo federal, sendo que o cidadão paga até 10% do valor de referência.

Nesta versão, existem 7.292 empresas credenciadas, que fazem uma média de 1,6 milhão de atendimentos ao mês.

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