Regional

No caminho dos pássaros há trilhas para os homens

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Birdwatching

A observação de pássaros em seu habit natural a olho nu ou utilizando binóculos, lunetas e máquinas fotográficas nasceu na Inglaterra, onde há cerca de um milhão de observadores de aves. Nos Estados Unidos eles somam aproximadamente 70 milhões de observadores de aves.

Há três anos, em São Paulo foi realizado o 1º Encontro Brasileiro de Observação de Aves–Avistar. O evento teve cerca de 250 inscritos que participaram de minicursos, palestras e mesas-redondas e ainda puderam conhecer hotéis, pousadas com atividades de observação de aves, além de livros, camisetas e CDs.

Terapia

O biólogo Guilherme Ortiz mudou sua rotina de fim de semana. O passeio ao shopping ou a visita ao barzinho foram substituídos por passeios e muita observação de aves. “Comecei a observar pássaros como hobby há dois anos. Sempre gostei de animais. Me apaixonei. Hoje me programo para usar meu tempo livre nas observações. Já fiz viagens com fotógrafos no Pantanal só para observar as espécies.”

O Brasil é riquíssimo em aves e o brasileiro ainda não percebeu isso, na opinião de Ortiz. Ele frisa que uma ave passa em frente a uma pessoa e ela nem observa porque está preocupada com coisas que nem sempre são tão importantes. “As pessoas estão estressadas e não percebem que as aves podem desenvolver nossa paciência. É uma terapia. Acalma.”

Ortiz acredita que a observação de aves no Brasil ainda é incipiente. “No País há mais de 1800 espécies, mas pouca estrutura para receber o turista de observação de aves. Há pouco tempo é que começaram a surgir alguns grupos, algumas consultorias e guias. É um negócio novo. É muito rentável nos países europeus Estados Unidos. Os norte-americanos e europeus se interessam pelo assunto, viajam o mundo, mas é preciso ter estrutura para recebê-los. Tem gente que viaja o mundo todo buscando alguma espécie predileta para fotografar ou gravar o canto.”

Para facilitar a observação das espécies de aves em Brotas, o grupo traçou uma trilha de observação com fotos das principais espécies em português e inglês para facilitar o entendimento dos estrangeiros. “Várias placas com foto e descrição básica para que qualquer leigo possa conhecer e observar os pássaros. Confeccionamos um folder para distribuição na comunidade de observadores.”

O passeio pela trilha pode ser feito sozinho ou em grupos. Mas se o visitante quiser alguém (um guia) que o ajude a ver e ouvir os pássaros, tem que agendar com antecedência. O grupo Uirapuru acompanha e explica as espécies, o tipo de canto.

O playback é a técnica usada para atrair os pássaros, explica o biólogo Jeferson Otaviano. “Como a maioria das espécies são territoriais, nós reproduzimos o canto do pássaro e o macho vem verificar se há outro, no território dele, aí fica mais fácil para observar. Por isso, carregamos gravador, iPod. Temos canto de aves do mundo todo.”

Para definir o ‘caminho’ dos pássaros, a equipe ficou observando durante um ano. “Cada estação do ano tem determinada quantidade e espécie de aves, elas são migratórias. Fizemos um trabalho durante um ano para pegar todas as estações do ano e conseguir catalogar a maior quantidade de aves naquela região.”

Para conseguir chegar a 170 espécies foi preciso muitas horas no campo, segundo o biólogo. “Era preciso gravar o canto das aves, fotografar e identificar, através da vocalização e da imagem. O trabalho começou no ano passado e terminou este ano.”

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Um dos únicos sites com fotos

Analista de sistema de profissão, Jefferson Rodrigues de Oliveira e Silva caçou aves até os 12 anos. Quando adulto voltou a ter contato com os pássaros a partir de um passeio no Parque de Itatiaia/RJ. “Nessa época despertou a vontade de criar pássaros. Comprei e paralelamente comecei a fotografá-los. A medida que fotografava passei a me incomodar com a prisão deles em gaiolas. Vendi e doei os que eu tinha, quero a ave livre.”

A paixão pelos passarinhos aumentou e o analista investiu em câmeras para melhorar a resolução das fotos e acabou criando um dos únicos sites de fotos de pássaros. “Em 2005 criei um site com mais duas pessoas. A intenção era colocar as nossas fotos só para o pessoal visualizar e consultar. Mas depois abri o site para todos aqueles que quisessem colocar fotos de aves. Até cinco meses atrás, ele era o único no Brasil. Tem mais de 15 mil fotos.”

O analista confessa que fotografou umas 300 aves. “Tenho mais de mil fotos. O site está disponível desde setembro de 2005. Ele incentivou muitas pessoas a participarem da observação de aves. Fotografar aves é uma doença que não tem cura”.

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