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Shoppings com mercadoria ilegal proliferam

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A 13 dias do Natal, as vendas de réplicas de grifes famosas e de eletroeletrônicos importados de forma ilegal estão “bombando’’ em shoppings populares na avenida Paulista e no centro de São Paulo.

Camisa polo Lacoste e Ralph Lauren por R$ 30, carteira Dolce&Gabbana por R$ 10, relógio Tag Heuer por R$ 300, cueca Versace por R$ 10, iPhone (celular da Apple que navega pela internet) por R$ 200 e câmera fotográfica Sony Cyber Shot por R$ 380 são algumas das opções de mercadorias falsificadas ou descaminhadas (importadas sem pagamento de impostos) oferecidas a clientes - de executivos que trabalham na região a turistas.

“Se um shopping é fechado, em seguida outro é aberto. E o dólar barato estimula ainda mais a oferta de produtos “look like’ (em inglês, parecido com)”, afirma Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo.

A reportagem visitou na última semana os centros de compras Paulista Center, Shopping Veneza e Boulevard Monti Mare, na av. Paulista, e o Shopping 25 de Março, no centro, e constatou que as réplicas estão mais diversificadas e as vendas são feitas sem emissão de notas fiscais. Nos quatro centros, os lojistas esperam faturar até 30% mais neste mês sobre dezembro do ano passado.

Enquanto o comércio irregular prevê alta de até 30% nas vendas, o regular estima faturar 12% mais neste mês sobre igual período de 2008, segundo cálculo do Fecomercio SP. “Não há como mensurar a perda de receita com o comércio irregular. Mas é fato que os comerciantes sofrem muito com a concorrência desleal.

Everardo Maciel, ex-secretário da Receita, diz que o comércio de produtos ilegais não é um problema só do Brasil nem algo simples de resolver. “Em Nova York, na Itália e em Paris, também há produtos falsificados. Para resolver isso, é indispensável uma cooperação internacional entre os países. Os chineses entendem que as réplicas são uma homenagem às marcas famosas, e não pirataria.”

Na tentativa de coibir a prática, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, órgão do Ministério da Justiça, lançou o programa “Cidade Livre de Pirataria e do Comércio Ilegal”. “Não vamos reprimir a ação de camelôs, mas sim a venda de mercadorias ilegais. Para isso, é importante o envolvimento dos municípios. A pirataria está a serviço do crime organizado, tira emprego e traz prejuízos à economia’’, diz Luiz Paulo Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça e presidente do conselho.

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