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Fim de ano acelera paqueras online

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Em busca de parceiros para passar o Ano Novo, pessoas apostam na Internet para encontrar a sua cara-metade

Além do Dia dos Namorados, outra data considerada um terror para quem corre desesperadamente atrás de um amor é o Réveillon. Sem ter uma companhia para ao menos ganhar um selinho após a contagem regressiva para o Ano Novo, muitos apelam para a Internet na busca pela cara-metade, ainda que aos 45 do segundo tempo.

Seja para simples paqueras ou até mesmo para a construção de relações sólidas e duradouras, os bate-papos ganham mais adeptos em busca de preencher o vazio sentimental. A busca pelos sites de relacionamentos convencionais, além das páginas destinadas exclusivamente a namoro - muitas delas mediante pagamento de assinatura mensal –, é observada com maior intensidade no período de festas de final de ano e ajuda a crescer o movimento de lan houses.

É o que atesta o comerciante Régis Coelho, proprietário de um estabelecimento do gênero na Vila Falcão. “Cerca de 80% de nossa clientela é centralizada em sites de relacionamento ou MSN”, contabiliza. “Nesse período, a procura por esses serviços é maior”, observa. “Não há como numerar ou detalhar esse aumento no período, mas existe um crescimento”, considera.

O proprietário da lan house, que não se apóia tanto no oferecimento de jogos, testemunha inclusive o eficiente trabalho do cupido virtual bem diante de seus olhos. “Aqui mesmo temos algumas histórias”, enfatiza Coelho, que viu uma funcionária pedir demissão para morar com o marido, o qual conheceu pela web, no Rio Grande do Sul.

Régis também “perdeu” um cliente recentemente. Mas o antigo usuário não deixou de freqüentar a lan house na Vila Falcão por insatisfação com o serviço. Pelo contrário, o antigo morador de Bauru vive atualmente, comenta Coelho, na Argentina, com a cara-metade que conheceu também na Internet, pelos computadores do estabelecimento.

O sucesso aparente desse tipo de relacionamento se dá porque as pessoas não se sentem intimidadas em se abrir diante do monitor. Os casais unidos pelo cupido eletrônico também relacionam a longevidade das relações à série de afinidades encontradas no parceiro via web.

E ao contrário dos métodos tradicionais de paquera, na Internet, como recomendam os autores de livro “Amar.com”, que trata no amor na web (leia mais na página 3), opiniões em comum valem mais nas impressões iniciais do que o visual, praticamente desconhecido – exceto por fotos – durante as primeiras tecladas.

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Web estreita as distâncias

Instrumento que une casais, a Internet também é um meio de mantê-los juntos apesar das distâncias. Unido há um ano e dois meses, o casal formado por Sara Miranda, moradora em Marília, e o italiano Antonio Riccobene supera atualmente uma distância de 10 mil quilômetros e mantém os laços pela rede mundial. “Nós nos vemos praticamente todos os meses”, conta Sara, que pretende se casar com o italiano, atualmente na Argélia, no ano que vem.

Apesar dos autores do livro “Amar.com”, José Antônio Ramalho e Daniela Mantegar, recomendarem um certo tempo entre o primeiro contato nas salas de bate-papo até o encontro pessoal, a história de um casal formado por um homem de Sorocaba e uma mulher, também de Marília, saltou da web para o altar como um relâmpago.

“Ele ia visitar a mãe em Marília e, antes de ir a cidade, fez uma busca na Internet. Em questão de dias se conheceram e se casaram. Hoje já têm um filhinho e moram em Jundiaí”, resume José Antônio Ramalho, jornalista co-autor do livro. “A união foi resultado de uma oportunidade única. Sem a Internet jamais se conheceriam”, defende.

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Sinceridade é a melhor ferramenta

O fato de estar atrás do teclado não dá ao internauta a liberdade de se reconstruir virtualmente. Mentira nesses casos, recomendam José Antônio Ramalho e Daniela Mantegari, autores de “Amar.com”, têm pernas curtíssimas e farão com que contatos maravilhosos via web se tornem em decepções brutais no primeiro contato ao vivo e a cores.

Eles recomendam cautela antes de marcar qualquer encontro. Contato pessoal, ensinam, somente após certa intimidade e, principalmente, segurança. Para eles, o período ideal entre chat, MSN, telefonemas, até o esperado encontro, varia entre dois e três meses. Entretanto, esse tempo não é via de regra, esclarecem.

“É bom para não comprar gato por lebre”, acentua José Antônio. “E quando ocorrer o encontro, que seja num café, ao invés de um jantar”, diferencia o autor. Em caso de decepção, a dispensa fica mais fácil na primeira opção, ilustra, diferentemente a uma ocasião mais formal, que pode se tornar uma longa “tortura”.

No livro, eles citam o caso de um estrangeiro que, após as primeiras tecladas, já marcou encontro com uma brasileira e teve vontade de sair voando logo quando desceu do avião. “Daí a importância de se vender uma imagem real”, acentua Ramalho. “O importante é ser objetivo, mentir não adianta”, sintetiza Daniela.

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