Bairros

Bandas de garagem

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Elas são movidas a paixão e conhecidas por fazerem dos bairros o palco principal para seus shows. Sua existência é motivo de orgulho para parentes e amigos, mas também pode significar tormento para a vizinhança. Em busca de superação e em meio a uma divisão de opiniões é que sobrevivem as inúmeras e famosas bandas de garagem.

Geralmente, esses grupos são criados por aspirantes a músicos movidos pelo prazer e pelo desejo de, um dia, se tornarem conhecidos. Mas o caminho do anonimato em direção a fama é extenso, e passa por muitos obstáculos. A reportagem entrevistou algumas bandas de garagem que ensaiam em diversos bairros cidade, e pôde constatar que, independente do estilo adotado, elas enfrentam os mesmos problemas.

A falta de local adequado para ensaiar é uma das principais dificuldades apresentadas. Quartos, salas, quintais e, é claro, as garagens são alternativas baratas, adotadas por quem deseja continuar a prática musical e não tem verba para financiar ensaios em estúdios. O grande problema reside no fato de que nem sempre os vizinhos apreciam o som feito pela banda, e os ensaios passam a ser motivo de briga.

Driblar as dificuldades de relacionamento entre os integrantes do grupo também pode ser um grande desafio. Por conta disso, dificilmente a formação original da banda se mantém por muito tempo. Desencontros relacionados aos horários e dias de ensaio, discordância referentes ao repertório adotado, e a importância que cada integrante dá à banda podem interferir de maneira negativa na organização do grupo.

Fabiano Moura Gonçalves dos Santos, conhecido como Mr. Fabian, músico e professor do Instituto Guitarisma, aconselha considerar aspectos como afinidade e comparar objetivos na hora de escolher os integrantes da banda.

“Os integrantes precisam tem um mesmo objetivo. Se a idéia é tocar por prazer, todos precisam pensar assim. Da mesma forma que se a idéia for se tornar uma banda profissional, todos têm de dar o máximo de si. Claro que escolher integrantes que tenham afinidade simplifica a convivência, mas só isso não basta”, explica.

E quando a banda consegue superar as barreiras anteriores, é hora de ultrapassar a pior delas. De acordo com os músicos entrevistados, a disputa por uma vaga na noite bauruense é a etapa mais difícil de ser conquistada. Baixos cachês, grande concorrência e poucos locais para se apresentar estão entre as reclamações mais freqüentes.

Uma boa alternativa, que pode facilitar a entrada da banda no mercado musical, é divulgar o trabalho na Internet. “Hoje em dia tudo pode acontecer pela Internet, no caso das bandas não é diferente. Um clipe bem produzido ou um ensaio bem editado, que a música tenha qualidade pode despertar o interesse de uma gravadora”, sugere.

Ainda assim, porque existem tantas bandas de garagem? Porque adolescentes e jovens adultos não desistem de tentar carreira como músico? Para Paulo Del Nery, professor do curso de música da Universidade do Sagrado Coração (USC), a explicação é simples.

“A prática musical traz prazer e bem-estar. Quem toca algum instrumento vê nessa prática uma forma de se expressar, é algo que faz com amor. Quando se trata de bandas, este sentimento se fortalece pois existe um grupo de pessoas unidas em torno de um mesmo objetivo”, explica Nery.

Ele ressalta que, para que uma banda dê certo, é preciso dedicação. “É importante ter vontade de melhorar sempre. Para quem tem vontade de sobreviver de música é interessante cursar uma faculdade. Claro que existem pessoas autodidatas, que são ótimas naquilo que fazem e não têm estudo, mas se estudassem seriam ainda melhores. Uma faculdade de música ajuda a aprofundar o conhecimento e desenvolver habilidades do fazer musical”, sugere Del Nery.

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