Para desfrutar de um Natal minimamente iluminado, o vendedor Paulo Roberto Moraes, 47 anos, e o filho dele, Pedro Marcondes Moraes, 16 anos, passaram o sábado carpindo um espaço público, em Bauru, coberto por mato. A vegetação era capaz de cobrir o estudante, atualmente com 1,80 metro de altura. Sem o esforço, dificilmente o Papai Noel encontraria o endereço, na Vila Industrial, brincam.
A casa da família, como de outros vizinhos, fica na quadra 9 da rua Antônio Pereira, onde não há pavimentação. Para piorar, a rua também não dispõe de iluminação pública. Ele e outro morador instalaram um poste de luz no interior da própria residência, mas voltado para a rua. Porém, a iniciativa resulta num acréscimo de cerca de R$ 70,00 na conta de energia elétrica de cada imóvel. Ainda assim, a administração municipal não os eximem da Contribuição da Iluminação Pública (CIP).
Pelo contrário, sempre que o vendedor recorre para não pagá-la, tem a solicitação indeferida. A preocupação com a escuridão vai muito além da expectativa de receber em casa o bom velhinho. Esbarra no medo de ser surpreendido por pessoas com interesses nada nobres. Moraes é receoso em relação à segurança pública, especialmente neste período de festas, quando acolherá toda a família em casa. O raciocínio é simples: sem o mato, mais claridade e, conseqüentemente, menos vulnerabilidade.
Para tanto, alugou por R$ 60,00 uma máquina de cortar grama, pagou mais R$ 30,00 numa lâmina e outros R$ 10,00 em gasolina para o aparelho funcionar. Ontem, às 9h, ele e o filho estavam em meio à vegetação, do local que deveria ser uma praça, conforme reivindicação dos moradores.
Legislativo
No início deste ano, eles procuraram o vereador Marcelo Borges com um ofício em mãos pedindo a área verde e o espaço de lazer. Cerca de 50 moradores assinaram o documento.
Por sua vez, o parlamentar solicitou à mesa da Câmara Municipal o endereçamento da reivindicação à prefeitura, para que a administração municipal tome as providências necessárias acionando os setores competentes. O objetivo de todos é a instalação da praça pública. No ofício enviado ao prefeito Rodrigo Agostinho também consta que o local precisa de manutenção urgente, pois provoca transtornos aos vizinhos – freqüentemente visitados por insetos e ratos.
Por conta do abandono, tem quem jogue lixo e entulho no ponto. “Até pneu encontrei aqui (enquanto carpia). Sempre faço isso porque não dá para ficar do jeito que está. Nas gestões anteriores também reclamamos”, conta. O vendedor explica que, há poucos dias, equipes da prefeitura estavam na Emei, situada em frente ao endereço deles, carpindo a grama do espaço verde na área externa. “Informei que essa área era para ser uma praça, que é pública, mas disseram que nada podiam fazer. Me orientaram a ligar na prefeitura”, conclui o munícipe.
Mas a sorte de Moraes pode mudar a partir de meados de fevereiro de 2010, quando a Secretaria de Obras, em conjunto com a do Meio Ambiente, instalará algumas praças na Vila Industrial. A informação foi transmitida, no final da noite de ontem, pelo titular da Secretaria de Obras, Eliseu Areco. No momento da entrevista ele não se lembrava do endereço exato, mas ressaltou o planejamento para o próximo ano.