Depois de permanecer quase um ano estudando física nuclear nos Estados Unidos, Oscar Sala não agüentava mais ficar sozinho. Para resolver seu problema com a solidão, a saída encontrada foi celebrar seu casamento com Rosa Augusta Pompiglio, a dona Rosinha, por procuração.
No lugar do noivo estava um parente dele. Oficializado o casamento no civil, no dia seguinte, a senhora Sala partiu para a terra do Tio Sam para se encontrar com o marido. E lá ficou um ano. Assim que regressaram ao Brasil, por serem frutos de famílias com tradições religiosas, trataram de marcar o casamento também no religioso. E o local escolhido foi a Catedral do Divino Espírito Santo, em Bauru.
E lá se vão 62 anos de casados. Para os novatos no matrimônio, dona Rosinha deixa um recado. “Para um relacionamento dar certo é preciso respeitar o espaço do outro”, aconselha. Na opinião dela, esse é o segredo para o casamento com o renomado físico nuclear Oscar Sala ter dado tão certo.
Pelas diferenças entre eles, esse sucesso poderia ter sido colocado em xeque diversas vezes. De personalidade festeira, como ela própria define, dona Rosinha nunca foi impedida pelo marido de freqüentar os bailes do Clube Pinheiros, do qual eram sócios. Ao contrário da esposa, Sala sempre foi avesso às badalações.
O que ele gostava era de ficar em casa, tranqüilo, tomando um copo de uísque tendo como acompanhamento uma boa música clássica. Era assim que ele se sentia bem. “Ele nunca foi muito social. Nas homenagens que ele recebia, era sempre eu que ia representá-lo”, conta Rosinha, que comparecia aos eventos sem reclamar, bem pelo contrário. Afinal de contas, festa era com ela.