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Capital nacional do brinquedo está a todo vapor para 2010


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São Paulo - As fábricas de brinquedos de Laranjal Paulista, a 165 km de São Paulo, na região de Sorocaba, vão fazer a alegria de milhões de crianças em todo o Brasil e no Exterior neste Natal. Mas não vão parar para comemorar. Parte delas suspendeu as férias coletivas de dezembro e, ao contrário do que costuma acontecer, vão entrar em 2010 trabalhando a todo vapor.

A cidade, conhecida como a “Capital do Brinquedo”, tornou-se o terceiro maior pólo do setor no mundo, com uma produção estimada em 40 milhões de brinquedos por ano. Só de bonecas são 20 milhões por ano. O bom desempenho da economia brasileira fez com que a produção este ano aumentasse entre 10% e 15% em relação a 2008.

O resultado é evidente nas ruas da pequena Laranjal Paulista, com seus 24.454 habitantes. Kombis e picapes circulam levando caixas repletas de cabeças, bracinhos e olhinhos de bonecas, além de rodas e carrocerias de carrinhos, tratores e caminhões. As 20 maiores empresas do setor terceirizam parte da produção para cerca de 30 micros e pequenas empresas, muitas recém-saídas da informalidade. Estas, por sua vez, contratam os serviços de outros moradores - jovens, estudantes, donas de casa, aposentados - para fazer em casa tarefas como a colagem de etiquetas ou a produção de roupinhas. De acordo com a prefeitura, o setor passou a ser o principal empregador e a base da economia local.

Expansão

A Roma Brinquedos, uma das mais tradicionais do setor, não vai parar no Natal. “Ano passado paramos no dia 5 de dezembro e voltamos no mesmo dia em janeiro”, conta o diretor Marcos Jensen. Este ano, os mais de 700 funcionários terão apenas as folgas programadas para o Natal e o Ano Novo. “Estamos vendendo muito bem e precisamos manter os estoques abastecidos em janeiro.”

As vendas estão 10% acima de 2008, que já havia sido um ano muito bom para o setor, segundo Jensen. “A crise não nos pegou, tanto que estamos mantendo um ritmo de crescimento próximo de 15% ao ano.” Ele lembra que, no auge da crise internacional, no início deste ano, havia um clima de preocupação. “A gente até tirou um pouco o pé do acelerador, com medo do que viria, mas os pedidos continuaram chegando. Aí aceleramos de novo.”

As perspectivas são tão boas que a Roma está investindo em novas instalações. A unidade, com 25 mil m², vai elevar em até 40% a atual capacidade de produção da empresa. Com linhas de crédito do BNDES, a indústria adquiriu seis modernas injetoras de plástico e ampliou a frota de caminhões.

As linhas de brinquedos foram incrementadas com acessórios e equipamentos para agregar valor. Mas há também os produtos mais simples para atender às classes que apenas nos últimos anos passaram a comprar brinquedos. Os preços variam de R$ 20,00 a mais de R$ 100,00.

A Roma vende para o Brasil todo, conta Jensen. “Estamos em todos os Estados brasileiros e na maioria das cidades, do Oiapoque ao Chuí.” A empresa atua também no mercado internacional, com a venda de brinquedos para a Itália, Romênia, República Checa, além dos países do Mercosul.

De acordo com o empresário, a terceirização de serviços foi a forma encontrada pelas indústrias para fazer frente à concorrência dos produtos chineses, reduzindo o custo com mão de obra. Ele lembra que, no passado, quando a produção de brinquedos da China começou a invadir o Brasil, o setor viveu uma quebradeira. “Naquela ocasião, pelo menos 300 fábricas fecharam as portas.”

Com a adaptação à nova situação e também por causa das salvaguardas dadas pelo governo, após pressão da Associação da Indústria de Brinquedos (Abrinq), o setor se recuperou. “Hoje, o Brasil tem 330 indústrias de brinquedos e, nos últimos dez anos, não perdeu nenhuma.”

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